O governo dos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, emitiu uma autorização para que empresas norte-americanas possam adquirir ouro proveniente da Venezuela. A medida representa mais um passo na flexibilização das sanções econômicas impostas a Caracas.

De acordo com um comunicado do Departamento do Tesouro dos EUA, as transações envolvendo a estatal venezuelana de mineração, Minerven, e suas subsidiárias estão novamente permitidas. A licença, no entanto, estabelece condições rigorosas: as operações devem passar por empresas estabelecidas nos Estados Unidos, que ficam autorizadas a reexportar o metal.

O documento oficial impõe um sistema de rastreabilidade para assegurar a origem venezuelana do ouro e proíbe expressamente que as transações tenham como destino final países como Irã, Coreia do Norte, Rússia, China e Cuba – restrição já aplicada às vendas de petróleo.

Esta decisão segue o modelo adotado para o petróleo venezuelano, cujas receitas de exportação devem ser depositadas em um fundo específico supervisionado pelo Tesouro americano, atualmente sediado no Catar. Espera-se que o mesmo mecanismo de controle seja aplicado às vendas de ouro.

A publicação da licença ocorre após uma visita de dois dias do secretário do Interior dos EUA, Doug Burgum, à Venezuela, que resultou no anúncio do restabelecimento das relações diplomáticas entre os dois países. Burgum reuniu-se com a presidente interina Delcy Rodríguez e afirmou que dezenas de empresas demonstraram interesse em investir no país.

O governo Trump afirma exercer controle administrativo sobre a Venezuela e seus vastos recursos naturais após a queda de Nicolás Maduro no início do ano. A Venezuela, além de possuir uma das maiores reservas de petróleo do mundo, é rica em minerais como ouro, diamantes, bauxita e coltan.