Daniel Vorcaro, de 42 anos, dono e principal controlador do Banco Master, foi preso nesta quarta-feira (4) em São Paulo. A prisão ocorreu durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga uma organização criminosa suspeita de crimes como ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos.

A Polícia Federal também cumpriu outros três mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão em São Paulo e Minas Gerais, todos expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação conta com apoio técnico do Banco Central do Brasil.

A Justiça determinou o afastamento de investigados de cargos públicos e o bloqueio e sequestro de bens que podem chegar a R$ 22 bilhões. A medida visa impedir a movimentação de recursos ligados ao grupo e preservar valores possivelmente associados às irregularidades.

O Esquema e a Liquidação do Banco Master

A crise do Banco Master culminou na sua liquidação, determinada pelo Banco Central em novembro do ano passado. Desde 2024, a instituição e seu executivo vinham sendo investigados por um esquema que envolvia:

  • Emissão de CDBs com juros muito acima do mercado para captar recursos.
  • Criação de carteiras de crédito falsas para simular solidez financeira.
  • Aplicação de valores em ativos inexistentes ou de baixa qualidade, registrados como créditos sólidos.
  • Uso de novos recursos para pagar investidores antigos, em uma dinâmica considerada insustentável (esquema de pirâmide).

As tentativas de venda do banco fracassaram. Uma negociação avançada com o Banco de Brasília (BRB) foi barrada por órgãos de controle e pelo BC, diante de questionamentos sobre transparência e riscos ao sistema financeiro.

Perfil e Investigações

Nascido em Belo Horizonte, Vorcaro é formado em Economia, com MBA pelo Ibmec, e ganhou projeção nacional após o Banco Master firmar grandes operações com o governo do Distrito Federal através do BRB. Essas operações, que envolviam a aquisição de títulos de crédito emitidos pelo Banco Master, estão no centro das investigações.

Vorcaro também é acionista da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Atlético-MG, detendo 20,2% do clube através do fundo Galo Forte FIP. A origem dos recursos usados nessa operação é apurada por possível ligação com o PCC.

Com a liquidação do banco, as operações foram interrompidas e um liquidante foi nomeado. A maior parte dos clientes foi ressarcida pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), até o limite legal, mas o caso expôs os limites do fundo diante do volume elevado de recursos envolvidos.