René Redzepi, chef principal e fundador do renomado restaurante Noma, na Dinamarca, anunciou sua demissão após uma série de denúncias de ex-funcionários sobre um ambiente de trabalho abusivo. As acusações, detalhadas em reportagem do New York Times, incluem abuso verbal e físico, criando uma cultura tóxica na cozinha do restaurante considerado um dos melhores do mundo.

Em comunicado nas redes sociais, Redzepi assumiu a responsabilidade: “Para quem sofreu sob minha liderança, meu mau julgamento ou minha raiva, peço profundas desculpas. Gritei e empurrei pessoas, agindo de maneiras inaceitáveis”. O chef afirmou ter feito terapia para controlar sua raiva.

As repercussões foram imediatas. Patrocinadores, incluindo a American Express, retiraram-se do projeto de uma unidade temporária do Noma em Los Angeles. Protestos organizados por grupos de defesa dos direitos trabalhistas ocorreram em frente ao local da futura instalação no bairro de Silver Lake.

“Quem quer comer em um ambiente de abuso?”, questionou Saru Jayaraman, da organização One Fair Wage, à CBS News. “Quem quer comer comida que vem das lágrimas e do suor de pessoas que estão sofrendo?”

Redzepi também renunciou ao conselho da MAD, organização sem fins lucrativos que fundou em 2011 para auxiliar novos profissionais do setor. Em sua despedida, ele expressou confiança na equipe atual do Noma, que seguirá com o projeto de Los Angeles sem sua liderança direta.

O caso levanta questões sobre a cultura em cozinhas de alta gastronomia, onde a pressão por excelência e inovação muitas vezes coexiste com relatos de condições de trabalho extremas.