Liquidação e prisão marcam desfecho de crise financeira

A liquidação do Banco Master pelo Banco Central, em novembro de 2025, e a nova prisão de seu fundador, Daniel Vorcaro, pela Polícia Federal, representam o capítulo final de uma crise que se arrastava há meses e também atingiu o Will Bank e o Banco Pleno, do mesmo grupo. A operação “Compliance Zero” investiga crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa.

Da expansão ao colapso: a trajetória do Master

Fundado em 1974 como uma corretora, o Banco Master se transformou em um conglomerado financeiro. Nos anos recentes, ganhou notoriedade ao oferecer produtos com rendimentos absurdamente acima do mercado, um sinal de alerta que precedeu seu colapso. A partir de 2022, a saúde financeira do banco entrou em colapso devido à captação cara, exposição a ativos de alto risco e negociações de venda frustradas, como a proposta do BRB.

O mecanismo da fraude: CDBs com juros impossíveis

O cerne da crise foram os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) emitidos com taxas de até 180% do CDI. Especialistas apontam que taxas tão elevadas não eram generosidade, mas um “pedido de socorro”. Sem acesso a crédito barato de grandes instituições, o banco recorreu ao investidor pessoa física. Para pagar juros tão altos, o Master precisava emprestar a taxas exorbitantes para tomadores de risco elevado ou projetos duvidosos. As investigações indicam que o banco usava o dinheiro de novos investidores para pagar os antigos, em um esquema de pirâmide financeira.

Carteiras de crédito falsas e o esquema bilionário

A Polícia Federal investiga a fabricação de carteiras de crédito falsas. Segundo as apurações, o Master teria “comprado” créditos inexistentes de uma empresa chamada Tirreno, sem pagar por eles, e depois os vendido ao BRB por R$ 12,2 bilhões, em uma manobra para socorrer seu caixa. O esquema suspeito de fraudes financeiras pode ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões.

O papel e os limites do FGC

Com a liquidação, a maioria dos clientes foi protegida pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que garante aplicações como CDB, poupança e LCIs até R$ 250 mil por CPF/CNPJ. O fundo já desembolsou R$ 37,2 bilhões para 653 mil credores do Master. No entanto, o caso expôs os limites do sistema: o FGC viu seu caixa ser drasticamente reduzido e estuda medidas para recompor recursos. Investidores com valores acima do teto agora integram a massa falida e aguardam a venda dos ativos do banco.

Um legado de desconfiança

A queda do Banco Master vai além de um simples calote. Ela evidencia os riscos de produtos com rentabilidade anormal, a complexidade das fraudes de alto nível no sistema financeiro e a pressão sobre os mecanismos de garantia. O caso serve como um alerta severo para investidores e reguladores sobre a sustentabilidade de operações que prometem ganhos fora da realidade do mercado.