Parlamentares e familiares de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, assassinados em 2018, reuniram-se na Câmara dos Deputados para uma sessão solene em memória das vítimas. O evento, realizado a três dias do oitavo aniversário do crime, celebrou a condenação histórica dos mandantes pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e reafirmou o legado político da vereadora.
A ministra da Igualdade Racial e irmã de Marielle, Anielle Franco, destacou a luta contínua das mulheres por espaço e permanência no poder. “Seguimos lutando, porque a Marielle, além de semente, ela é essa inspiração, não como mártir, mas como esse futuro possível que só pode ser feito a partir e através de nós mulheres”, afirmou.
Agatha Arnaus Reis, viúva de Anderson Gomes, ressaltou que a condenação dos mandantes abriu caminho para um olhar mais corajoso sobre as estruturas de poder. “Ao longo desses anos vimos algo que por muito tempo parecia improvável, autoridades sendo responsabilizadas e redes que pareciam intocáveis sendo expostas”, disse.
Fernanda Chaves, sobrevivente do atentado, enfatizou que a decisão do STF envia uma mensagem clara: “crimes como esse não serão tolerados. O feminicídio político não será tolerado”.
A vereadora Mônica Benício, viúva de Marielle, definiu a condenação como uma dívida de justiça do Estado Democrático de Direito com os familiares e com a sociedade.
A deputada Taliria Petrone (PSOL-RJ), autora do requerimento da sessão, destacou a condenação de agentes públicos a 76 anos de prisão. “Pela primeira vez no banco dos réus, agentes públicos envolvidos com milícias foram condenados. Isso precisa ser um recado à necessidade de um enfrentamento contundente, porque não podemos ter outras Marielle”, declarou.
A ministra interina das Mulheres, Eutália Barbosa, lembrou que Marielle se transformou “em memória viva da luta por justiça”, cujo legado “atravessou fronteiras, tornou-se bandeira, tornou-se pergunta permanente dirigida à democracia brasileira”.