O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Will Bank nesta quarta-feira (21), interrompendo as atividades da instituição. Clientes relatam que o aplicativo do banco digital permanece acessível para consulta de saldos e faturas, mas todas as operações, como transferências, PIX e pagamentos, estão congeladas. Apesar do bloqueio, as cobranças das faturas do cartão de crédito continuam a aparecer, gerando confusão e preocupação.

“O sistema está ativo, mas congelado. Os valores aparecem na tela, mas não podem ser utilizados, pois só serão liberados pelo liquidante ao longo do processo”, explica um especialista. Cassandra Mendes, cliente há dois anos, relata: “Tenho dinheiro disponível na conta, mas não consigo usá-lo para pagar a fatura do cartão. A de janeiro segue em aberto”.

O aplicativo exibe um aviso informando sobre a suspensão das operações devido à liquidação e prometendo mais informações sobre o acesso aos recursos para quem possui saldo.

Falhas e instabilidades nos serviços

Desde a noite de terça-feira (20), usuários reportam instabilidades. Relatos incluem recusa de compras no cartão, impossibilidade de realizar PIX e falhas no internet banking. Rayssa Santos, de 26 anos, afirma: “Tem limite, por isso a fatura está baixa, porque não consigo usar. Tentei fazer compras online, mas não aprovou”.

O Banco Central atribui parte dos problemas à paralisação do processamento com a Mastercard, um fator que agravou a situação financeira do banco, que acumulava cerca de R$ 7 bilhões em passivos.

Quando os clientes terão acesso ao dinheiro?

Com a liquidação, os valores dos clientes integram um processo conduzido por um liquidante nomeado pelo BC. Quem tinha dinheiro em conta ou aplicações elegíveis conta com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que cobre até R$ 250 mil por CPF. No entanto, o pagamento não é imediato e depende dos trâmites da liquidação. O FGC orienta os clientes a se cadastrarem em seu aplicativo e aguardarem notificações.

O que muda para os clientes?

  • Contas, cartões e serviços deixam de operar normalmente.
  • A instituição é retirada do sistema financeiro, e os clientes tornam-se credores no processo.
  • Dívidas do cartão de crédito já lançadas na fatura continuam sendo devidas e podem ser cobradas, com risco de juros e negativação.

Orientações para os clientes afetados

Especialistas recomendam:

  1. Guardar documentação: Extratos, comprovantes de saldo e registros de movimentações da data da liquidação servem como prova de crédito.
  2. Cadastrar-se no FGC: Realizar o cadastro básico no aplicativo do Fundo Garantidor de Créditos.
  3. Acompanhar comunicações oficiais: Ficar atento aos informes do Banco Central, do liquidante e do FGC.
  4. Não tentar movimentações: Após o decreto de liquidação, tentativas de transferência podem ser bloqueadas ou invalidadas.
  5. Ter um banco principal alternativo: Quem concentrava recursos no Will Bank deve adotar outra instituição financeira como principal.

O Will Bank e o Banco Central não se manifestaram até o momento. A Febraban informou que o banco não faz parte de seu quadro de associados.