O Banco Central (BC) decretou, em 21 de janeiro de 2026, a liquidação extrajudicial da Will Financeira, nome fantasia do Will Bank, encerrando as atividades da instituição que se destacou por seu foco em clientes de baixa renda.
Fundado em 2017 no Espírito Santo, o Will Bank nasceu como uma fintech voltada para a democratização do crédito. A empresa, que começou como emissora de cartões, reformulou sua marca em 2020 e expandiu sua atuação, oferecendo conta digital remunerada, PIX, empréstimos e até um marketplace com cashback.
A estratégia do banco era clara: atingir um público com pouco acesso ao sistema financeiro tradicional. Cerca de 60% de sua base de 12 milhões de clientes estava concentrada no Nordeste, muitos em cidades de pequeno porte. Sua comunicação usava linguagem simples e acessível, reforçando o discurso de inclusão.
Para ganhar visibilidade, o Will Bank investiu pesado em marketing com celebridades e influenciadores. Campanhas com nomes como Whindersson Nunes, Maísa, Pabllo Vittar e o jogador Vinícius Jr. foram lançadas, principalmente no TikTok, visando o público jovem.
Financeiramente, a instituição parecia dar sinais de recuperação. No primeiro semestre de 2024, reverteu prejuízos acumulados e registrou um lucro líquido de R$ 47,4 milhões. No entanto, seu destino estava atrelado ao do seu controlador, o Banco Master.
Após a liquidação do Banco Master em novembro de 2025, o Will Bank passou a operar sob um Regime Especial de Administração Temporária (RAET) do BC. A esperança era uma venda para um novo investidor, mas o negócio não se concretizou. A gota d’água veio quando a instituição não honrou pagamentos devidos à Mastercard, que suspendeu a aceitação de seus cartões.
Com passivos de cerca de R$ 7 bilhões e a inviabilidade de uma reestruturação, o BC decretou a liquidação. Em sua nota, o BC afirmou que a medida foi tomada devido ao “comprometimento da sua situação econômico-financeira, da sua insolvência e do vínculo evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master S.A., já sob liquidação extrajudicial”.
A história do Will Bank é um capítulo marcante no setor de fintechs brasileiro, mostrando os desafios de se operar com foco em um público de maior risco e a fragilidade das instituições diante de problemas em seus conglomerados controladores.