A Warner Bros Discovery declarou oficialmente nesta quinta-feira (26) que a nova proposta da Paramount Global, avaliada em US$ 31 por ação, é superior ao acordo atualmente em vigor com a Netflix. Com essa declaração, inicia-se uma contagem regressiva de quatro dias úteis para que a gigante do streaming apresente uma oferta melhor ou abandone definitivamente a disputa pela aquisição do estúdio.

Este movimento representa um ponto de virada na batalha bilionária pelo controle de uma das maiores empresas de entretenimento do mundo. A situação inverte posições: no início do mês, foi a Netflix quem concedeu um prazo de sete dias à Warner para buscar uma “melhor e última oferta” da Paramount.

De acordo com os termos do acordo pré-existente com a Netflix, a declaração da Warner ativa agora uma cláusula que dá à empresa de Reed Hastings um período limitado para contra-atacar.

Os números da disputa

A oferta da Paramount, de US$ 31 por ação, totaliza aproximadamente US$ 110 bilhões, valor que inclui a assunção da dívida da Warner Bros Discovery (WBD). Em contraste, a proposta atual da Netflix está avaliada em cerca de US$ 83 bilhões e exclui ativos como os canais lineares CNN e Discovery.

O mercado reagiu positivamente ao anúncio: as ações da Paramount Skydance registraram alta superior a 1,5% nas negociações.

O que está em jogo na aquisição

O interesse da Netflix concentra-se nos negócios de estúdio e streaming da Warner. Sua oferta inicial, em dezembro, foi de US$ 27,75 por ação. A empresa argumenta que este valor, combinado com a cisão dos canais de TV a cabo da Warner, maximizaria os retornos para os acionistas.

Um ponto crucial da proposta é o nível de endividamento que esses canais a cabo – que seriam agrupados numa nova entidade chamada Discovery Global – carregariam. A avaliação desta nova empresa é alvo de divergência: a Warner estima seu valor entre US$ 1,33 e US$ 6,86 por ação, enquanto a Paramount sugere que ela teria valor praticamente nulo.

Analistas do setor indicam que uma oferta da Paramount na casa dos US$ 34 por ação praticamente encerraria a discussão. Além do valor por ação, a Paramount também elevou significativamente a multa por ruptura regulatória no seu acordo, de US$ 5,8 para US$ 7 bilhões, demonstrando maior confiança na aprovação antitruste.

A capacidade de resposta da Netflix

A Netflix encerrou o ano de 2025 com um robusto caixa de cerca de US$ 9 bilhões, o que lhe fornece margem de manobra financeira para aumentar sua oferta, caso seus diretores assim decidam.

Independentemente do vencedor, o resultado desta disputa redefinirá o panorama de Hollywood. A empresa vencedora herdará um estúdio icônico, uma vastíssima biblioteca de conteúdo e franquias de valor inestimável, como Game of Thrones e o universo de personagens da DC Comics.

Pressões e estratégias em jogo

A Paramount alega ter um caminho mais claro para obter a aprovação dos órgãos reguladores norte-americanos em comparação com a Netflix. A empresa também sinalizou que, em caso de rejeição da sua oferta pela diretoria da Warner, poderá tentar alterar a composição do conselho na próxima assembleia geral de acionistas.

A pressão de investidores ativistas intensificou-se. A Ancora Holdings, detentora de uma participação minoritária na Warner, manifestou publicamente que a empresa não negociou de forma adequada com a Paramount. A Warner, por sua vez, defende a atuação do seu conselho, afirmando que este sempre agiu no melhor interesse da companhia e dos seus acionistas.

Os próximos quatro dias definirão não apenas o futuro da Warner Bros Discovery, mas também o novo equilíbrio de poder na indústria global do entretenimento.