O conselho de administração da Warner Bros. Discovery rejeitou por unanimidade, na última quarta-feira (7), a oferta de US$ 108,4 bilhões da Paramount Skydance para adquirir o estúdio. A decisão foi baseada na avaliação de que o negócio com a Paramount seria mais arriscado e menos vantajoso do que a fusão já acertada com a Netflix no mês passado, avaliada em cerca de US$ 82,7 bilhões.

Segundo comunicado do conselho, a proposta da Paramount dependeria de um alto nível de endividamento, aumentaria a incerteza sobre a conclusão da transação e ofereceria pouca proteção aos acionistas. A empresa recomendou formalmente que os investidores rejeitem a investida e reafirmou seu apoio ao acordo com a Netflix.

Entenda as principais diferenças entre as propostas

A Paramount ofereceu US$ 108 bilhões para adquirir todas as divisões da Warner, incluindo os canais a cabo como a CNN. A oferta equivalia a US$ 30 por ação. Larry Ellison, cofundador da Oracle e cujo grupo familiar controla a Paramount, ofereceu uma garantia pessoal de US$ 40,4 bilhões em financiamento via ações para sustentar a proposta.

Já a Netflix focou sua oferta de US$ 72 bilhões (US$ 28 por ação) na aquisição dos principais negócios de conteúdo: os estúdios de produção de filmes e séries e o serviço de streaming (HBO Max). Os canais a cabo da WBD serão separados em uma nova empresa de capital aberto, a Discovery Global. A Netflix também aceitou uma cláusula contratual que a obriga a pagar uma multa de US$ 5,8 bilhões à Warner se o acordo for barrado por órgãos reguladores.

Próximos passos e desafios regulatórios

Para que a fusão com a Netflix seja concluída, duas etapas cruciais são necessárias:

  1. Aprovação dos acionistas: Os acionistas da Warner precisarão votar e aprovar o acordo final. A data para esta votação ainda não foi definida.
  2. Aprovação regulatória: Órgãos antitruste, principalmente nos Estados Unidos, analisarão a operação para evitar a formação de monopólios ou desequilíbrios no mercado. Especialistas apontam que a posição dominante da Netflix no streaming pode levantar questionamentos sobre concorrência e preços para o consumidor.

Existe um risco real de os reguladores imporem condições, exigirem desinvestimentos ou até bloquearem a operação. A própria Paramount alertou, em carta ao departamento jurídico da Warner, sobre os potenciais entraves regulatórios ao acordo com a Netflix.

Impacto no mercado de streaming e para os assinantes

A aquisição dos estúdios e do catálogo da Warner, que inclui franquias como Harry Potter e Batman, além do prestígio da HBO, fortaleceria significativamente o catálogo da Netflix e sua posição no mercado.

Analistas apontam que a concentração de mercado resultante de uma fusão deste porte pode, a médio e longo prazo, impactar os preços das assinaturas. Empresas podem ajustar tarifas para compensar os altos investimentos da aquisição e os custos de manutenção de um catálogo ampliado.

Uma decisão final sobre o negócio depende da conclusão das negociações entre Netflix e Warner e, posteriormente, da análise regulatória, um processo que pode se estender por boa parte de 2026.

Fonte: G1