Em depoimento à Polícia Federal, Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, declarou que a operação de venda da instituição financeira ao BRB (Banco de Brasília) foi construída e estruturada tecnicamente dentro do Banco Central (BC). A transcrição do depoimento, realizado no final de 2025, foi obtida pelo blog.

Vorcaro admitiu que o Master enfrentava problemas de liquidez e utilizava o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) como parte de seu modelo de negócio. Ele afirmou ter se encontrado com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), mas negou ter tratado diretamente com ele sobre a compra do banco pelo BRB.

O empresário expressou frustração pela não concretização da venda ao banco público e criticou a exposição do caso, que, segundo ele, causou prejuízos a sua pessoa e ao sistema financeiro. Ele também disse à PF que o banco honrava todos os pagamentos de fundos de pensão e outros investimentos até 17 de novembro.

Tentativas de venda e deterioração financeira

O Banco Master voltou ao centro das atenções em março de 2025, quando avançaram as negociações para vender 58% do capital ao BRB por cerca de R$ 2 bilhões. A operação, que criaria um conglomerado com aproximadamente R$ 100 bilhões em ativos, passou a ser monitorada por órgãos de controle, como o Ministério Público do Distrito Federal.

Enquanto o processo se arrastava, o Master enfrentava crescentes dificuldades de caixa. Em maio, o banco obteve uma linha de crédito emergencial de R$ 4 bilhões do FGC, que foi renovada duas vezes. Paralelamente, buscava vender o Will Bank, seu braço digital.

Na véspera da liquidação determinada pelo BC, uma nova proposta surgiu: a holding Fictor e um consórcio de investidores dos Emirados Árabes Unidos ofereceram um aporte imediato de R$ 3 bilhões e a compra das ações de Vorcaro, excluindo o Will Bank e o Master Investimentos. Com o decreto de liquidação, a proposta perdeu validade.