Após o Supremo Tribunal Federal (STF) formar maioria para manter a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, sua defesa passou por uma mudança estratégica que pode abrir caminho para um acordo de delação premiada no caso do Banco Master.

Vorcaro será agora defendido pelo advogado José Luís Oliveira Lima, conhecido como Juca, um dos criminalistas mais renomados do país. Juca Lima é conhecido por defender a delação premiada como um instrumento válido de defesa, posição que já expressou publicamente.

Com a mudança, o advogado Pierpaolo Bottini deixa a equipe de defesa. Bottini era contrário ao uso da delação premiada como estratégia jurídica.

A troca ocorre imediatamente após a decisão da Segunda Turma do STF, que formou maioria para manter Vorcaro preso. Analistas jurídicos avaliam que a manutenção da prisão aumenta significativamente a pressão sobre o banqueiro e torna mais provável a busca por um acordo de colaboração.

Ao longo da semana, houve intensa pressão política para tentar evitar uma eventual delação premiada e para reverter a prisão de Vorcaro no Supremo. Com a decisão da Corte, o cenário mudou radicalmente, e a substituição na defesa é vista como um movimento que prepara o terreno para essa estratégia.

Na quinta-feira (12), a defesa havia negado veementemente qualquer negociação com a Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre uma delação premiada, classificando as informações como “inverídicas” e com objetivo de prejudicar o exercício da defesa.

Na sessão desta sexta, o ministro André Mendonça, relator do caso, foi o primeiro a votar pela manutenção da prisão, destacando que Vorcaro integrava uma “perigosa organização criminosa armada”. Seu voto foi acompanhado pelos ministros Luiz Fux e Nunes Marques. Falta ainda o voto do ministro Gilmar Mendes.

Mendonça também determinou que devem permanecer presos Fabiano Campos Zettel (cunhado de Vorcaro), Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão (conhecido como “Sicário”, que morreu após, segundo a PF, atentar contra a própria vida) e Marilson Roseno da Silva.

O ministro Dias Toffoli, integrante da Segunda Turma, declarou-se suspeito para participar dos julgamentos do caso Master a partir da 3ª fase da Operação Compliance Zero. Toffoli era o relator original das investigações, mas deixou a relatoria após a Polícia Federal apresentar um relatório sobre conexões entre ele e Daniel Vorcaro.

Daniel Vorcaro está preso preventivamente desde 4 de março. Atualmente, ele cumpre período de adaptação de 20 dias na Penitenciária Federal de Brasília.