Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, negou em depoimento à Polícia Federal (PF) possuir conexões políticas significativas. O banqueiro argumentou que, se realmente tivesse a influência que lhe é atribuída, não estaria sob medidas restritivas como prisão ou uso de tornozeleira eletrônica.

A declaração foi feita durante investigação sobre fraudes ligadas ao Banco Master, conduzida pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). Vorcaro foi questionado especificamente sobre a possibilidade de políticos terem atuado para viabilizar a operação entre o Master e o Banco de Brasília (BRB).

Em sua defesa, o banqueiro afirmou que o negócio com o BRB foi construído “tecnicamente dentro do Banco Central” e alertou que o prejuízo com a paralisação da operação afetaria todo o sistema financeiro nacional.

Vorcaro admitiu ter se encontrado com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), mas justificou os encontros pelo fato de Rocha ser controlador indireto do banco estatal. Segundo ele, as reuniões trataram apenas de “questões técnicas do BRB”.

Questionado repetidamente pela delegada sobre pedidos a parlamentares ou outras autoridades, Vorcaro não confirmou nem negou tais contatos. Ele ressaltou a discricionariedade do Banco Central e afirmou que, até certo momento, a diretoria de fiscalização do BC buscou uma “solução de mercado” para evitar o que chamou de “caos” no sistema.

O depoimento também revelou que Vorcaro admitiu à PF que o Master enfrentava problemas de liquidez e utilizava o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) como parte de seu modelo de negócio.