O banqueiro Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, não prestará depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS na próxima segunda-feira (23), conforme estava previsto. A informação foi confirmada pela cúpula do colegiado, que investiga desvios em aposentadorias e pensões pagas pelo Instituto.

O deputado Duarte Jr (PSB-MA), vice-presidente da CPMI, justificou o cancelamento em declaração à GloboNews: “A razão é muito clara. Com a liberação do André Mendonça, não tem porque ele vir. A relação do Vorcaro é muito forte com parlamentares, ele pode destruir a República. Não é do interesse que ele compareça”.

Vorcaro foi convocado pela comissão no ano passado para prestar esclarecimentos sobre contratos do extinto Banco Master relacionados a empréstimos consignados de aposentados. No entanto, por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), sua presença no colegiado é facultativa.

No lugar do banqueiro, a CPMI do INSS ouvirá a empresária Ingrid Pikinskeni Morais Santos. Ela é sócia e esposa de Cícero Marcelino de Souza Santos, apontado pela Polícia Federal como assessor do presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais do Brasil (Conafer), Carlos Roberto Ferreira Lopes. A Conafer é uma das entidades investigadas pelos desvios.

Na próxima semana, Vorcaro também é aguardado na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, que formou um grupo de trabalho para acompanhar as investigações do Caso Master. Assim como na CPMI, sua presença na CAE é facultativa, e não há confirmação sobre seu comparecimento.

Contexto: Operação Compliance Zero

Daniel Vorcaro é um dos principais alvos da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo a venda de títulos de crédito falsos pelo Banco Master. O nome da operação faz referência à ausência total de controles internos nas instituições envolvidas para prevenir crimes como gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e manipulação de mercado.

Principais pontos da operação:

  • Fraude: Criação de carteiras de crédito fictícias para inflar artificialmente o patrimônio do Banco Master, com o objetivo de viabilizar uma venda ou fusão com o Banco de Brasília (BRB).
  • Valores: As irregularidades são estimadas em R$ 12 bilhões. Em janeiro de 2026, a Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 5,7 bilhões em bens e valores.
  • Alvos e Prisões: Além de Vorcaro, que chegou a ser preso preventivamente, a operação afastou a cúpula do BRB, incluindo seu presidente, por indícios de que o banco público teria injetado bilhões em operações fraudulentas.
  • Consequências: Após a deflagração da primeira fase, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro, por considerar que a instituição não tinha condições de honrar seus compromissos.