Em trocas de mensagens privadas reveladas, o banqueiro Daniel Vorcaro afirma ser amigo do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e sugere ter participado de encontros com altas autoridades do país.

As conversas, ocorridas em março de 2025, foram mantidas com a então companheira, Martha Graeff, e com seu filho, Tiziano Vorcaro. Elas vieram à tona após a prisão de Vorcaro na terceira fase da Operação Compliance Zero da Polícia Federal (PF).

Encontros com autoridades

No dia 28 de março, em conversa com Martha Graeff pelo aplicativo de mensagens, Vorcaro justificou sua demora em responder, afirmando: “Estou sim, acabou chegando Hugo [Motta] e Ciro [Nogueira] aqui pra falarem com Alexandre [de Moraes]. Não deve demorar.” A mensagem sugere um encontro simultâneo com o presidente da Câmara, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

Confirmação de amizade com Hugo Motta

Em outra ocasião, ao ser questionado pelo filho Tiziano sobre uma publicação referente à eleição de Hugo Motta para a presidência da Câmara, Daniel Vorcaro confirmou a relação de amizade. Após Tiziano perguntar “É seu amigo?”, o banqueiro respondeu de forma sucinta: “Sim.”

Contexto das prisões

Daniel Vorcaro foi preso na quarta-feira (4 de março de 2026), juntamente com seu cunhado Fabiano Zettel, Luiz Phillipi Mourão Moraes (conhecido como “Sicário”) e o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva. A prisão ocorreu no âmbito da Operação Compliance Zero.

Segundo a PF, ainda sob custódia, “Sicário” atentou contra a própria vida, foi hospitalizado, mas não resistiu. Um inquérito para apurar as circunstâncias do ocorrido foi aberto na quinta-feira (5).

As mensagens divulgadas acrescentam uma nova dimensão às investigações, levantando questões sobre a natureza e o contexto dos encontros relatados por Vorcaro com figuras centrais do poder político e judiciário brasileiro.