Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, reconheceu em depoimento à Polícia Federal (PF) que a instituição enfrentava uma crise de liquidez e que seu plano de negócios era integralmente baseado no Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A informação consta da transcrição do depoimento, obtida pelo blog.
Segundo Vorcaro, o banco passava por uma situação momentânea de falta de caixa para honrar compromissos, mas que cumpriu todas as obrigações até 17 de novembro. A liquidação do Master foi decretada pelo Banco Central (BC) no dia seguinte, citando justamente a falta de liquidez e graves violações normativas.
O empresário afirmou à PF que o modelo do Master evoluiu para uma “dependência agressiva” da cessão de ativos e do suporte do FGC, passando por fases como o crédito consignado e a emissão de cédulas de crédito bancário (CCBs). Ele defendeu que não havia nada de errado nessa estratégia até que as regras foram alteradas, sugerindo interesse de concorrentes em prejudicar o banco.
Vorcaro relatou que o Master chegou a originar entre R$ 400 milhões e R$ 500 milhões por mês, mas reduziu o volume para garantir liquidez após uma comunicação do BC em novembro de 2024. Ele também afirmou ter injetado cerca de R$ 6 bilhões de seu patrimônio pessoal para sustentar o banco durante a crise.
A principal fonte de captação teria sido encerrada após o anúncio da venda do Master ao Banco Regional de Brasília (BRB), acordo que, segundo Vorcaro, foi “construído tecnicamente dentro do BC”.
O FGC, uma associação privada que atua como um seguro para depositantes e investidores, iniciou em 19 de janeiro o ressarcimento de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ aos clientes do Master. Cerca de 600 mil credores já haviam solicitado o reembolso até a noite daquele dia.