Uma jovem de 18 anos prestou depoimento à Polícia Civil de São Paulo detalhando a acusação de importunação sexual contra o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Marco Buzzi, de 68 anos. O suposto episódio teria ocorrido durante uma viagem à casa de praia do magistrado em Balneário Camboriú, Santa Catarina, no início deste ano.

No relato, a vítima afirma que Buzzi a levou para uma área mais afastada da praia para entrarem no mar. Dentro da água, o ministro teria se aproximado fisicamente, virado a jovem de costas e pressionado seu corpo contra o dela. Segundo o depoimento, Buzzi ainda teria comentado que a achava “muito bonita” e tocado suas nádegas.

A jovem relatou que, após conseguir se desvencilhar após algumas tentativas, o ministro lhe deu um conselho: “Você é muito sincera, deveria ser menos sincera com as pessoas. Isso pode te prejudicar”. Imediatamente após o ocorrido, a vítima deixou a praia sozinha, contou aos pais e a família decidiu encerrar a viagem prematuramente, retornando a São Paulo.

No depoimento, a jovem também informou que tem enfrentado dificuldades para dormir, sofre com pesadelos frequentes e está em acompanhamento psicológico e psiquiátrico desde o acontecido. Sua identidade é preservada.

O caso, revelado inicialmente pelo site da revista “Veja” e confirmado pelo G1 e TV Globo, é investigado como crime de importunação sexual, cuja pena varia de 1 a 5 anos de reclusão. As investigações tramitam em sigilo e o inquérito foi notificado ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), devido ao foro privilegiado do ministro.

Em nota, a defesa de Marco Buzzi classificou como “inaceitável retrocesso civilizacional” qualquer tentativa de julgamento público antes da apuração formal dos fatos, criticou o que chamou de vazamentos e disse confiar no devido processo legal. A defesa afirmou que se manifestará no momento oportuno, mas não apresentou uma versão específica sobre o episódio nem respondeu diretamente às acusações.

Anteriormente, o ministro havia dito que foi “surpreendido com o teor das insinuações divulgadas” e repudiou “toda e qualquer ilação de que tenha cometido ato impróprio”.

Daniel Bialski, advogado da vítima, disse ao blog que espera que as providências sejam tomadas e o caso tratado com rigor. Marco Buzzi é ministro do STJ desde setembro de 2011.