A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou nesta quinta-feira (15) uma proposta para reformar a lei de hidrocarbonetos do país. O objetivo declarado é facilitar o fluxo de investimentos estrangeiros, principalmente dos Estados Unidos, para o setor petrolífero venezuelano.
Em pronunciamento à nação, Rodríguez afirmou que a reforma “permitiria que esses fluxos de investimento fossem incorporados a novos setores, setores onde nunca houve investimento e setores onde não há infraestrutura”. Ela garantiu que os recursos provenientes do petróleo seriam destinados aos trabalhadores e aos serviços públicos.
A medida ocorre em um contexto de pressão de investidores americanos por um acesso mais fácil à indústria petrolífera da Venezuela. Segundo o governo dos EUA, um acordo com Caracas já gerou US$ 500 milhões (cerca de R$ 2,7 bilhões) com a venda de petróleo, valor depositado em contas bancárias controladas pelos Estados Unidos. Fontes do setor indicam que a conta principal estaria localizada no Catar.
Rodríguez assumiu o cargo interinamente há dez dias, após a captura e extradição para os EUA do ex-presidente Nicolás Maduro, que responde a acusações de tráfico de drogas. Em seu discurso, a presidente interina pediu uma abordagem diplomática com os Estados Unidos, sinalizando uma mudança na retórica historicamente tensa entre os dois países. Ela afirmou estar disposta a viajar para Washington “por conta própria, sem ser arrastada”.
A líder também mencionou ter um plano para 2026 e a intenção de “forjar uma nova política na Venezuela”, elogiando diversos membros veteranos do governo.
O anúncio da reforma ocorreu pouco depois de um encontro na Casa Branca entre o presidente americano, Donald Trump, e a líder da oposição venezuelana, Maria Corina Machado. De acordo com a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, Trump considerou Rodríguez “extremamente cooperativa” e manteve a visão de que Machado não representa uma alternativa realista para o país. Machado, por sua vez, avaliou positivamente a reunião com Trump.