O Supremo Tribunal Federal (STF) enfrenta uma crise interna após a divulgação de trechos detalhados de reuniões privadas sobre o caso Master. Ministros suspeitam que as conversas foram gravadas e vazadas para a imprensa, gerando um clima de desconfiança e irritação entre os magistrados.
Na sexta-feira (13), o portal Poder360 publicou um extenso relato das reuniões realizadas na véspera, incluindo uma reunião preparatória restrita a apenas cinco ministros: o presidente Luiz Edson Fachin, Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Cármen Lúcia.
Ministros ouvidos pelo blog confirmaram que grande parte do conteúdo publicado é fidedigno e reproduz frases literais ditas durante os encontros. No entanto, apontam que alguns trechos foram distorcidos e que passagens negativas para o ministro Dias Toffoli foram omitidas, o que alimentou suspeitas contra o colega, que acabou sendo retirado da relatoria do caso.
“São frases literais, numa sequência muito semelhante ao que aconteceu nas reuniões. Para quem estava lá, a sensação é de que alguém dentro da sala gravou tudo aquilo”, relatou um ministro. Outro classificou o vazamento como uma “traição”.
Procurado, Toffoli negou veementemente qualquer envolvimento, afirmando que a informação é “totalmente inverídica” e que “nunca gravou ninguém na sua vida”.
De acordo com a reportagem, na reunião reservada, oito dos dez ministros teriam se posicionado a favor da permanência de Toffoli na relatoria do inquérito sobre as fraudes do banco de Daniel Vorcaro. Apenas Fachin e Cármen Lúcia defenderam sua saída. Após intervenção do ministro Flávio Dino sobre o contexto político do caso, Toffoli teria se convencido a se afastar voluntariamente.
Com a saída, André Mendonça foi sorteado como novo relator, evitando uma decretação de suspeição que invalidaria todos os atos já praticados por Toffoli no processo. Nesta sexta, Mendonça já se reuniu com delegados da Polícia Federal para se inteirar dos detalhes da investigação.
O episódio, no entanto, deixou marcas. “Mesmo que não tenha sido gravado, alguém passou frases literais, conteúdo expressivo das reuniões, para a imprensa. Isso é uma quebra de confiança”, lamentou um ministro, prevendo que o clima interno só tende a piorar.