A mineradora Vale registrou um prejuízo líquido de US$ 3,8 bilhões no quarto trimestre de 2025, um resultado significativamente inferior ao prejuízo de US$ 694 milhões apurado no mesmo período do ano anterior. O desempenho negativo foi impactado por baixas contábeis, apesar de um desempenho operacional sólido nas vendas de minério de ferro e cobre.

De acordo com o relatório divulgado pela empresa, o trimestre foi afetado principalmente por impairments (perdas por desvalorização) de US$ 3,5 bilhões nos ativos de níquel da Vale Base Metals no Canadá. Essa decisão decorreu de uma revisão das premissas de preço de longo prazo para o níquel. Além disso, houve uma baixa de US$ 2,8 bilhões em imposto diferido de subsidiárias.

Excluindo esses itens não recorrentes, o lucro líquido proforma da Vale no quarto trimestre foi de US$ 1,5 bilhão, representando um crescimento de 68% em relação ao mesmo período de 2024. Esse resultado foi impulsionado pelo aumento do Ebitda proforma e por um impacto positivo da avaliação a mercado dos swaps cambiais.

Os fatores positivos foram parcialmente compensados por provisões adicionais relacionadas à Samarco e pela ausência de ganhos extraordinários registrados no quarto trimestre do ano anterior.

Desempenho Operacional e Ebitda

Apesar do prejuízo líquido reportado, o Ebitda ajustado da companhia apresentou melhora, beneficiado por maiores volumes de vendas e preços do cobre e do minério de ferro, além de receitas com subprodutos e melhorias operacionais.

O Ebitda ajustado somou US$ 4,6 bilhões entre outubro e dezembro de 2025, contra US$ 3,8 bilhões no quarto trimestre de 2024.

Resultado Anual de 2025

No acumulado do ano de 2025, a Vale registrou um lucro líquido de US$ 2,35 bilhões, uma queda de 62% em relação a 2024. Contudo, o lucro líquido proforma para o período cresceu 28%, atingindo US$ 7,8 bilhões.

“Em 2025, a Vale entregou um desempenho excepcional, atingindo ou superando todas as metas (guidances)”, afirmou o presidente da empresa, Gustavo Pimenta. “Em nossas operações, atingimos os maiores níveis de produção de minério de ferro e cobre desde 2018 e entregamos crescimento de dois dígitos na produção de níquel.”

Produção e Receitas

A produção de minério de ferro, principal produto da Vale, aumentou 2,6% em 2025, totalizando 336,1 milhões de toneladas. Este volume superou, pela primeira vez desde 2018, a produção da concorrente Rio Tinto em sua principal região produtora, Pilbara, na Austrália.

No quarto trimestre, a receita líquida de vendas da Vale somou US$ 11,06 bilhões, um aumento de 9% ante o mesmo período de 2024. A produção no trimestre foi de 90,4 milhões de toneladas, um avanço de 6% na comparação anual, impulsionada pelo desempenho da mina Brucutu e pelo contínuo avanço (ramp-up) dos projetos Capanema e VGR1.

Posição de Endividamento

A dívida líquida da Vale totalizou US$ 11,2 bilhões ao final do quarto trimestre de 2025, um aumento de 7% em relação aos US$ 10,5 bilhões registrados em dezembro de 2024.

Já a dívida líquida expandida, que inclui provisões para Brumadinho, Samarco e swaps cambiais, somou US$ 15,6 bilhões, representando uma redução de 5% ante os US$ 16,5 bilhões de dezembro de 2024. Essa melhora deveu-se principalmente à maior geração de caixa livre pelas operações da companhia.