O Uruguai entrou para a história nesta quinta-feira (26) ao se tornar o primeiro país a ratificar formalmente o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia. A aprovação final pelo Congresso uruguaio, com 91 votos a favor e apenas 2 contra na Câmara dos Deputados, após aval unânime do Senado, marca um passo decisivo para a implementação do tratado.

O ministro das Relações Exteriores do Uruguai, Mario Lubetkin, classificou o momento como “histórico” e um “sinal para a Europa”, destacando a importância estratégica da ratificação.

A Argentina também deve concluir sua ratificação ainda nesta quinta-feira, enquanto Brasil e Paraguai, os outros dois membros plenos do bloco sul-americano, seguem com a tramitação legislativa. No Brasil, o texto já foi aprovado pela Câmara dos Deputados e agora aguarda votação no Senado.

O acordo, assinado em janeiro após mais de 25 anos de negociações, enfrentou resistência em alguns países europeus, notadamente na França, que chegou a encaminhar o documento à Justiça europeia. Apesar disso, a União Europeia mantém a possibilidade de implementação provisória.

As principais preocupações no lado europeu giram em torno do impacto nos setores agrícola e pecuário. No Mercosul, o apoio é majoritário, embora setores como o vinícola expressem ressalvas. Detalhes sobre as cotas de exportação ainda serão definidos em negociações internas entre os blocos.

Quando totalmente implementado, o acordo criará a maior área de livre comércio do mundo, conectando um mercado de mais de 700 milhões de pessoas. A previsão é de redução gradual de tarifas e ampliação das cotas para bens e serviços.

O tratado deve beneficiar a exportação europeia de produtos como automóveis, máquinas, vinhos e bebidas alcoólicas para o Mercosul. Em contrapartida, os países sul-americanos ganharão maior acesso ao mercado europeu para itens como carne, açúcar, arroz, mel e soja.

A conclusão da ratificação por todos os membros fundadores do Mercosul é esperada para os próximos dias, pavimentando o caminho para uma nova era nas relações comerciais entre os dois blocos.