Os países da União Europeia (UE) confirmaram formalmente a aprovação do acordo comercial com o Mercosul, um marco que dará origem à maior zona de livre comércio do planeta. A decisão, anunciada pelo Chipre, que exerce a presidência rotativa do bloco, foi apoiada por uma ampla maioria dos 27 Estados-membros.
O tratado, que agora segue para ratificação pelo Parlamento Europeu, é resultado de mais de 25 anos de negociações. A expectativa é que a assinatura formal entre os blocos ocorra em 17 de janeiro, conforme indicado pelo governo argentino.
O que prevê o acordo
O acordo estabelece a redução progressiva ou eliminação de tarifas de importação e exportação, além de criar regras comuns para comércio de bens, investimentos e padrões regulatórios. Estima-se que:
- O Mercosul eliminará tarifas sobre cerca de 91% das exportações da UE num prazo de 15 anos.
- A UE retirará progressivamente as taxas sobre 92% das exportações do Mercosul.
- Serão eliminados mais de 4 mil milhões de euros anuais em impostos sobre as exportações europeias.
Para o Brasil, maior economia do Mercosul, o tratado amplia o acesso a um mercado de cerca de 451 milhões de consumidores, beneficiando não só o agronegócio, mas também diversos segmentos industriais.
Impacto e oposição
O vice-presidente do Brasil, Geraldo Alckmin, celebrou a aprovação, destacando que cerca de 30% dos exportadores brasileiros vendem para a UE. “É ganha-ganha. Produtos mais baratos e de melhor qualidade”, afirmou.
No entanto, o acordo enfrenta forte resistência de agricultores em países como França, Áustria, Hungria, Irlanda e Polônia, que votaram contra a ratificação. O receio é a concorrência com produtos latino-americanos mais baratos e com padrões ambientais distintos. A Bélgica abstive-se na votação.
Mudança decisiva da Itália
Um ponto de viragem crucial foi a mudança de posição da Itália, que até dezembro se opunha ao tratado. O apoio italiano tornou-se decisivo devido às regras da UE, que exigem uma maioria qualificada representando 65% da população do bloco. A primeira-ministra Giorgia Meloni condicionou o apoio a garantias para o setor agrícola italiano, o que foi atendido com a promessa de acelerar a liberação de fundos de apoio aos agricultores.
O acordo é visto por defensores, como Alemanha e Espanha, como uma forma de diversificar as cadeias de abastecimento, reduzindo a dependência da China, e de contornar medidas protecionistas de outros parceiros comerciais.
Fonte: G1