A Comissão Europeia propôs uma alteração orçamental para permitir que os agricultores do bloco acedam antecipadamente a cerca de 45 mil milhões de euros. Esta medida surge como um gesto de apaziguamento face ao descontentamento do setor agrícola com o acordo comercial pendente entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, bem como com as reformas planeadas da Política Agrícola Comum (PAC).

O anúncio foi feito por meio de uma carta da presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, na véspera de uma reunião extraordinária de ministros da Agricultura em Bruxelas, convocada para abordar as “preocupações” dos agricultores.

Produtores de países como França e Itália manifestam receios quanto ao impacto da entrada de produtos sul-americanos, como carne, arroz, mel e soja, considerados mais competitivos devido a diferentes normas de produção. Em contrapartida, o acordo prevê a exportação de veículos e maquinaria europeus para o Mercosul.

O acordo de livre-comércio com o bloco sul-americano (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) está previsto para ser assinado a 12 de janeiro, mas depende ainda da aprovação dos Estados-membros, cuja votação está agendada para sexta-feira. Uma tentativa de assinatura em dezembro foi travada no último momento pelas relutâncias de França e Itália.

Em reação à proposta de antecipação de fundos, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, classificou-a como “um passo à frente positivo e importante”. Fontes da UE indicaram à Reuters que a Itália votará a favor do acordo comercial.

Os protestos dos agricultores têm sido visíveis, com ações como o despejo de estrume e lixo em frente à casa de praia do presidente francês, Emmanuel Macron, em dezembro de 2025.

Fonte: G1