A Comissão de Comércio Internacional do Parlamento Europeu suspendeu, nesta segunda-feira (23), o processo de implementação do acordo comercial entre o bloco e os Estados Unidos. A decisão foi tomada após o presidente americano, Donald Trump, anunciar uma nova tarifa global de importação de 15%, numa manobra para contornar uma decisão da Suprema Corte que derrubou o seu anterior “tarifaço”.

Zeljana Zovko, eurodeputada do partido de direita PPE, explicou que a suspensão permanecerá “enquanto a Comissão não esclarecer com os Estados Unidos as condições das novas tarifas alfandegárias”. A votação sobre a implementação do acordo, inicialmente prevista para terça-feira, foi adiada.

O acordo comercial, concluído em julho após intensas negociações, limitava a 15% as tarifas americanas sobre a maioria dos produtos europeus, valor inferior aos 30% inicialmente ameaçados. Em contrapartida, a UE comprometeu-se a eliminar as suas próprias tarifas sobre importações dos EUA, medida que necessita de aprovação parlamentar.

A Comissão Europeia já solicitou esclarecimentos a Washington sobre as suas intenções após a decisão judicial. A China também reagiu, pressionando os EUA a suspender as taxas “unilaterais” e prometendo defender os seus interesses.

A reação internacional surge após a Suprema Corte dos EUA considerar ilegal e anular o tarifaço imposto por Trump em abril de 2025. Em resposta, o presidente recorreu a uma lei de 1974 para impor uma sobretaxa global, inicialmente de 10% e depois aumentada para 15%. Contudo, esta medida tem uma duração máxima de 150 dias, só podendo ser prolongada com aprovação do Congresso.

Jornais franceses descrevem a decisão judicial como um “revés significativo” e uma “derrota contundente” para Trump, que vê os limites do seu poder político reafirmados. Analistas sugerem que o episódio pode levar a uma renegociação da relação transatlântica e do acordo assinado com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

As novas tarifas de 15% ameaçam cancelar acordos comerciais com vários parceiros, incluindo a UE, e podem obrigar ao reembolso de cerca de 100 mil milhões de dólares em sobretaxas já cobradas. A expectativa está agora voltada para o discurso sobre o Estado da União de Donald Trump, marcado para terça-feira (24).