A União Europeia está a considerar uma resposta económica contundente às ameaças do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a anexação da Groenlândia. De acordo com o Financial Times, os países do bloco discutem a imposição de tarifas no valor de 93 mil milhões de euros ou a restrição do acesso de empresas norte-americanas ao mercado europeu.

Os líderes europeus reuniram-se em Bruxelas, num encontro de emergência convocado pela presidência cipriota, para alinhar uma estratégia comum. A decisão surge após Trump ter anunciado a intenção de impor tarifas de 10% a vários países europeus, incluindo a Dinamarca, a quem pertence a Groenlândia.

O objetivo da retaliação é fortalecer a posição de negociação europeia antes do Fórum Económico Mundial de Davos, mas sem provocar uma rutura profunda na aliança militar ocidental. A UE também debateu a ativação do seu novo instrumento anti-coerção, uma ferramenta criada para responder a pressões económicas externas.

A crise foi despoletada pelas declarações de Trump, que afirmou que os EUA “precisam” da ilha do Ártico, não descartando o uso da força. A Dinamarca rejeitou qualquer negociação sobre a soberania da Groenlândia, um território semiautónomo com importância estratégica e ricas reservas minerais.

Em resposta, vários países europeus anunciaram o reforço da segurança no Ártico, incluindo o envio de contingentes militares para a Groenlândia, em coordenação com a NATO. A situação gerou protestos populares tanto na Groenlândia como em Copenhaga.

Autoridades europeias alertaram que o uso de tarifas como arma política pode danificar seriamente as relações transatlânticas. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, garantiu que o bloco permanecerá “unido e coordenado”, enquanto o ministro dos Negócios Estrangeiros dinamarquês, Lars Løkke Rasmussen, advertiu que o futuro da NATO “está em jogo”.

O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, afirmou ter conversado com Trump sobre a segurança no Ártico, esperando novos diálogos em Davos. Paralelamente, a aliança militar mantém uma presença constante na região, com exercícios regulares planeados para 2026.