Num esforço para angariar o apoio necessário à ratificação do acordo comercial com o Mercosul, a Comissão Europeia anunciou medidas para aliviar os custos dos agricultores europeus. A proposta inclui a eliminação das tarifas de importação sobre ureia e amónia e a possibilidade de suspensões temporárias da taxa de carbono nas fronteiras para certos produtos.

Esta iniciativa, apoiada por países como a Alemanha e a Espanha, visa obter a maioria dos votos dos 27 Estados-membros da UE, possivelmente ainda este mês. O acordo, negociado durante cerca de 25 anos, enfrenta resistência de alguns produtores europeus que temem a concorrência de produtos sul-americanos, como carne e açúcar, a preços mais baixos.

O comissário europeu do Comércio, Maroš Šefčovič, afirmou que a UE pretende zerar as tarifas padrão de 6,5% sobre a ureia e de 5,5% sobre a amónia. Além disso, a Comissão vai incentivar a aprovação de uma lei que permita isenções temporárias do Mecanismo de Ajustamento de Carbono nas Fronteiras (CBAM). Este mecanismo, em vigor desde 1 de janeiro, tributa as emissões de CO₂ incorporadas em produtos importados, como aço e fertilizantes.

As concessões surgem após pressões de grandes produtores agrícolas, como França e Itália, que bloquearam a assinatura do acordo em dezembro. Estes países exigem garantias contra um aumento súbito de importações do Mercosul. Recentemente, a Comissão sinalizou progressos com a Itália, propondo a antecipação de um pacote de apoio de 45 mil milhões de euros para os agricultores europeus.

Enquanto Polónia e Hungria mantêm oposição, a Irlanda, grande exportadora de carne bovina, indicou que poderá apoiar o texto, desde que sejam incluídas salvaguardas eficazes. O primeiro-ministro irlandês, Micheál Martin, afirmou que “muitos progressos foram feitos nos últimos 12 meses”.

Apesar de uma eventual autorização dos Estados-membros, o acordo ainda precisará da aprovação final do Parlamento Europeu para entrar em vigor. Os defensores do pacto argumentam que ele é crucial para diversificar as exportações europeias e reduzir a dependência estratégica de outros mercados.

Fonte: G1