Após mais de um quarto de século de negociações, os líderes da União Europeia e do Mercosul assinaram, neste sábado (17), um acordo comercial que estabelece a maior área de livre comércio do mundo. O momento histórico ocorreu em Assunção, Paraguai, reunindo os chefes de Estado dos dois blocos econômicos.
O presidente paraguaio e anfitrião do encontro, Santiago Peña, que exerce a presidência pro tempore do Mercosul, classificou o tratado como um “feito histórico”. “Apostemos em um futuro com mais coragem, audácia e aprofundemos nossa União. Em um mundo complexo, UE e América do Sul devem se unir para mostrar um caminho diferente”, declarou.
A cerimônia, realizada no mesmo local onde o tratado fundador do Mercosul foi assinado em 1991, contou com a presença da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do presidente do Conselho Europeu, António Costa. Pelo Mercosul, estiveram presentes os presidentes do Paraguai, Argentina, Uruguai, Bolívia e Panamá. O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva foi o único ausente, sendo representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
Von der Leyen destacou que os blocos escolheram “a parceria em vez do isolamento” e “o comércio justo em vez das tarifas”. O acordo prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas em mais de 90% do comércio total entre as regiões, além de estabelecer regras comuns para bens industriais, agrícolas, investimentos e padrões regulatórios.
António Costa enfatizou a relevância do pacto em um cenário global de turbulências: “Não pretendemos nem dominar nem impor, mas reforçar vínculos entre cidadãos e empresas para criar riquezas de forma sustentável”.
O presidente argentino, Javier Milei, afirmou que a assinatura é um ponto de partida, não de chegada, e pediu que o espírito das negociações seja preservado durante a implementação, evitando mecanismos restritivos como salvaguardas.
Apesar da celebração, o caminho para a vigência plena do acordo ainda é longo. O texto precisa ser ratificado pelos parlamentos de todos os países envolvidos, um processo que pode ser politicamente sensível, especialmente na União Europeia, onde setores agrícolas de nações como França, Áustria e Polônia manifestam resistência.
O acordo une um mercado de mais de 700 milhões de pessoas e um PIB combinado de aproximadamente US$ 22 trilhões, representando um marco no multilateralismo e na cooperação econômica transatlântica.