A Comissão Europeia emitiu um alerta severo nesta segunda-feira (9) sobre os riscos de um “grande choque inflacionário” para a economia global e europeia caso o conflito no Oriente Médio se prolongue. O aviso foi feito pelo Comissário Europeu Valdis Dombrovskis, que destacou o perigo de interrupções no tráfego marítimo no estratégico Estreito de Ormuz e de ataques à infraestrutura energética dos países do Golfo.
Os mercados financeiros já sentem o impacto. As bolsas de valores globais despencaram, com destaque para Seul (-5,96%) e Tóquio (-5,2%). Na Europa, os principais índices também operaram no vermelho: Paris (-2,59%), Frankfurt (-2,47%), Londres (-1,57%), Madri (-2,87%) e Milão (-2,71%).
O epicentro da turbulência, no entanto, é o mercado de petróleo. O barril de Brent, referência global, superou a marca de US$ 119, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) chegou a avançar 30%, aproximando-se de US$ 120. O tráfego no Estreito de Ormuz, passagem vital para cerca de 20% do petróleo e gás consumidos no mundo, está suspenso desde o início das hostilidades.
Analistas alertam que o cenário vai além de uma simples alta de commodities. “O petróleo acima de 100 dólares torna-se um imposto sobre a economia global”, afirmou Stephen Innes, da SPI Asset Management. O temor é que preços elevados da energia por um período prolongado desencadeiem uma nova onda inflacionária mundial.
Enquanto isso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, minimizou a alta, descrevendo-a como um “preço muito pequeno a pagar” pela segurança, em postagem na plataforma Truth Social. A visão contrasta com o alerta urgente das instituições europeias sobre os riscos de uma crise econômica ampliada.