O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está a preparar-se para reverter algumas das tarifas impostas sobre produtos de aço e alumínio, segundo informações avançadas pelo jornal britânico Financial Times. A medida tem como objetivo principal responder às preocupações dos consumidores norte-americanos com o aumento do custo de vida, um tema sensível em ano de eleições legislativas.

Fontes próximas do assunto indicam que autoridades do Departamento de Comércio e do escritório do representante comercial dos EUA acreditam que as tarifas, que chegam a 50%, estão a prejudicar os consumidores ao inflacionar o preço de produtos do dia a dia, como latas de alimentos e bebidas ou formas para tortas.

Perante esta pressão, a administração Trump começou a rever a lista de produtos sujeitos a estas taxas. O plano passa por isentar alguns itens, travar a expansão das listas de produtos tributados e, em vez disso, lançar investigações de segurança nacional mais direcionadas a produtos específicos.

Esta revisão ocorre num contexto político delicado. Uma sondagem recente da Reuters/Ipsos revelou que apenas 30% dos norte-americanos aprovam a forma como Trump tem lidado com o aumento do custo de vida, enquanto 59% desaprovam. A inflação e os preços ao consumidor são expectáveis que sejam fatores decisivos nas eleições de meio de mandato de novembro.

Impacto nas exportações brasileiras

As tarifas de Trump sobre o aço e o alumínio, aumentadas para 50% no ano passado, tiveram um impacto significativo no comércio global, incluindo nas exportações brasileiras. Inicialmente, uma grande parte dos produtos nacionais foi afetada, o que levou a uma redução das vendas para os EUA.

No entanto, em agosto do ano passado, uma medida do Departamento de Comércio dos EUA trouxe algum alívio. Ao enquadrar parte das exportações brasileiras que contêm aço e alumínio na Seção 232 do Ato de Expansão Comercial, alguns produtos passaram a pagar a mesma tarifa que outros países, melhorando a competitividade.

Segundo o então vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, esta alteração abrangeu cerca de 6,4% das exportações brasileiras para os EUA, num valor estimado em 2,6 mil milhões de dólares. “Isso vai dar uma melhora na competitividade industrial”, afirmou na altura.

Ainda assim, uma parte substancial das exportações brasileiras continua sujeita às tarifas elevadas. As consequências para a indústria nacional são variadas: empresas com forte vocação exportadora tendem a ser mais prejudicadas, enquanto as focadas no mercado interno enfrentam o desafio de uma maior oferta de produtos no mercado doméstico, o que pode pressionar os preços e as margens de lucro.

A possível reversão de algumas tarifas por parte da administração Trump poderá trazer um novo cenário para os exportadores, embora os detalhes e o alcance da medida ainda estejam por definir.