O plano do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para controlar a produção de petróleo na Venezuela foi recebido com cautela pelas empresas americanas. Em reunião na Casa Branca com altos executivos da ExxonMobil, ConocoPhillips, Chevron e outras companhias, Trump pediu que as gigantes do setor invistam pelo menos US$ 100 bilhões no país sul-americano, como parte de uma estratégia para ampliar a influência dos EUA na região.
Os executivos, no entanto, deixaram claro que não estão prontos para isso. Darren Woods, CEO da ExxonMobil — maior petrolífera americana — afirmou que a Venezuela hoje é “ininvestível”. “Já tivemos nossos ativos confiscados lá duas vezes, então você pode imaginar que reentrar uma terceira vez exigiria mudanças bastante significativas”, afirmou.
Trump também afirmou a executivos do setor petroleiro que os EUA irão refinar e vender até 50 milhões de barris de petróleo bruto da Venezuela, sob um novo acordo com o país, após forças americanas prenderem Nicolás Maduro em território venezuelano no último sábado (3).
Na sexta, Trump afirmou ainda que empresas interessadas no petróleo venezuelano terão de negociar diretamente com os Estados Unidos. A declaração foi feita durante uma reunião com altos funcionários do governo e executivos de algumas das maiores petroleiras do mundo. Segundo o republicano, os EUA estão abertos a negociações com a China. “A China pode comprar todo o petróleo que quiser dos EUA, nos Estados Unidos ou na Venezuela”, afirmou.
O gigante asiático é o principal comprador do petróleo venezuelano. Após as amplas sanções impostas pelos EUA ao país sul-americano em 2019, a participação da China subiu para 68% das exportações venezuelanas nos últimos anos.
O republicano já vinha sinalizando as intenções dos EUA em relação ao petróleo venezuelano. Segundo ele, a Venezuela concordou em destinar a receita obtida com a venda do petróleo à compra exclusiva de produtos fabricados nos EUA.
Em uma publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que as compras incluirão produtos agrícolas, medicamentos e equipamentos médicos, além de itens para melhorar a rede elétrica e as instalações de energia do país sul-americano. “Em outras palavras, a Venezuela está se comprometendo a fazer negócios com os EUA como seu principal parceiro — uma escolha sensata e algo muito positivo para o povo da Venezuela e dos Estados Unidos”, acrescentou Trump.
O Departamento de Energia americano informou que os EUA já começaram a comercializar petróleo venezuelano. De acordo com o órgão, toda a receita da venda será inicialmente depositada em contas controladas pelos EUA em bancos reconhecidos globalmente. “Contamos com o apoio financeiro das principais empresas de comercialização de commodities e bancos importantes do mundo para viabilizar e concretizar essas vendas de petróleo bruto e derivados”, informou o departamento.
Na quarta-feira, a petroleira estatal venezuelana PDVSA citou avanço nas negociações com os EUA para a venda de petróleo. Segundo a empresa, as partes vêm discutindo termos semelhantes aos que estão em vigor com parceiros estrangeiros, como a petroleira americana Chevron.
As declarações do republicano ocorreram apenas alguns dias depois de uma ação militar americana na Venezuela que resultou na prisão de Nicolás Maduro. Ao menos 55 militares venezuelanos e cubanos morreram na operação. Nesta semana, Trump disse que o petróleo venezuelano será vendido a preço de mercado. Ele afirmou ainda que será responsável por controlar o dinheiro obtido para garantir que os recursos sejam usados “em benefício do povo da Venezuela e dos EUA”.
Desde dezembro, a Venezuela acumula milhões de barris de petróleo em navios e tanques de armazenamento, sem conseguir exportá-los, devido a um bloqueio imposto por Trump. O embargo fez parte da pressão americana que resultou na queda de Maduro.
Fonte: G1