O professor de história da Universidade de Georgetown, Erick Langer, avalia que a ação dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na prisão de Nicolás Maduro, marca uma nova fase de intervencionismo de Donald Trump na América Latina. Segundo o especialista, o objetivo principal de Washington seria transformar a Venezuela em uma “colônia econômica”, focada na extração de petróleo por empresas americanas, mesmo que isso signifique manter o chavismo no poder sob um novo nome.
Em entrevista à BBC News Brasil, Langer afirmou que a operação contou com a conivência de figuras da cúpula chavista, como Delcy Rodríguez, que teriam “traído” Maduro para assumir o controle. Para o professor, os EUA preferem Rodríguez à líder oposicionista María Corina Machado por considerá-la mais “manipulável”, apesar do amplo apoio popular desta última.
O cenário, segundo Langer, não se limita à Venezuela. Ele acredita que Trump buscará estender sua influência por todo o hemisfério, pressionando o México para cortar o apoio a Cuba e tentando influenciar as eleições presidenciais em países como o Brasil em 2026. No entanto, essa interferência pode ter um efeito contrário ao desejado.
“Tenho certeza de que Trump vai se meter, quando puder. E acho que a interferência dos Estados Unidos na vida política brasileira não vai favorecer os partidos da direita, porque isto servirá como arma para o nacionalismo dos demais”, pontuou o especialista.
Langer destaca o papel crucial do Brasil neste contexto geopolítico turbulento. “O Brasil é o grande contrapeso contra Trump. O único que é grande o suficiente (na América Latina) para parar Trump e dizer ‘chega’ aos EUA é o Brasil”, afirmou. Ele avalia que a postura contida do presidente Lula em relação aos eventos na Venezuela pode ser uma posição de força.
O professor também vê a ação na Venezuela como um teste para a nova doutrina externa de Trump, que combina seu nome com a histórica Doutrina Monroe, e um potencial ponto de atrito com a China, principal parceiro econômico de muitos países latino-americanos e com investimentos no setor petrolífero venezuelano.
Fonte: BBC News Brasil