O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que as empresas interessadas no petróleo da Venezuela deverão negociar diretamente com o governo americano. A afirmação foi feita durante uma reunião com altos funcionários e executivos do setor petrolífero, na qual Trump também sinalizou abertura para que a China adquira o combustível através dos EUA.
“A China pode comprar todo o petróleo que quiser dos EUA, nos Estados Unidos ou na Venezuela”, afirmou o republicano. O gigante asiático é o principal comprador do petróleo venezuelano, tendo aumentado sua participação para 68% das exportações do país após as sanções americanas impostas em 2019.
Trump detalhou que os Estados Unidos irão refinar e vender até 50 milhões de barris de petróleo bruto venezuelano, sob um novo acordo estabelecido após uma operação militar que resultou na prisão do ex-presidente Nicolás Maduro. Segundo ele, a Venezuela concordou em destinar a receita das vendas exclusivamente para a compra de produtos americanos, como itens agrícolas, medicamentos, equipamentos médicos e materiais para infraestrutura energética.
O Departamento de Energia dos EUA confirmou que as vendas já começaram e que toda a receita será inicialmente depositada em contas controladas pelos Estados Unidos em bancos internacionais. O órgão afirmou que o objetivo é “garantir a legitimidade e a integridade da distribuição final dos recursos”, que serão alocados “em benefício do povo americano e do povo venezuelano, a critério do governo dos EUA”.
A petroleira estatal venezuelana PDVSA citou avanços nas negociações com os americanos, em termos semelhantes aos vigentes com outros parceiros, como a Chevron. Trump também mencionou um acordo para exportar até US$ 2 bilhões em petróleo bruto venezuelano para os EUA, um movimento que, segundo ele, desviaria fornecimentos da China e ajudaria a Venezuela a evitar cortes mais profundos na produção.
O presidente americano afirmou ainda que o petróleo será vendido a preço de mercado e transportado diretamente para terminais nos Estados Unidos. O volume total corresponde a aproximadamente dois meses da produção atual da Venezuela.
Desde dezembro, o país acumula milhões de barris em navios e tanques devido a um bloqueio comercial imposto por Trump, que fez parte da pressão internacional que culminou na queda de Maduro.
Fonte: G1