Em seu discurso no Congresso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, celebrou os ganhos do mercado acionário, mas deixou investidores frustrados ao não oferecer detalhes concretos sobre a política comercial e o futuro das tarifas, um tema que tem gerado forte incerteza.
Trump afirmou que o mercado registrou 53 recordes desde sua vitória para o segundo mandato, em novembro de 2024, e vinculou esse desempenho ao aumento das poupanças para aposentadoria (planos 401(k)). Ele anunciou uma proposta para igualar, a partir do próximo ano, contribuições de até US$ 1.000 para trabalhadores sem acesso a planos patrocinados por empresas, embora sem detalhar o funcionamento da medida.
Analistas, no entanto, esperavam sinais mais claros sobre o rumo das tarifas. “As pessoas provavelmente aguardavam algo mais definitivo”, comentou Karen Jorritsma, da RBC Capital Markets. A falta de clareza ocorre em um momento de volatilidade, agravada por preocupações com ações de inteligência artificial e a recente decisão da Suprema Corte, que derrubou tarifas emergenciais impostas por Trump.
Em resposta à Corte, o presidente assinou uma ordem criando tarifas de 10% por 150 dias e, no dia seguinte, sugeriu elevá-las para 15%. Ele afirmou ainda que “quase todos” os países e empresas desejam manter os acordos comerciais existentes com os EUA.
Embora o principal índice americano acumule alta de cerca de 13% desde a posse de Trump em janeiro de 2025, o avanço em 2026 tem sido limitado. Bolsas de outros países apresentam desempenho superior, e o dólar opera perto dos níveis mais baixos desde 2022. Historicamente, discursos sobre o Estado da União têm impacto reduzido nos mercados, por focarem mais em realizações e diretrizes gerais.