O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou que anunciará nesta sexta-feira (30) o novo presidente do Federal Reserve (Fed), o banco central americano. De acordo com informações do portal Bloomberg, o escolhido deve ser Kevin Warsh, ex-governador do Fed, que já integrou o Conselho de Governadores da instituição.
“Anunciarei o presidente do Fed amanhã de manhã”, afirmou Trump a jornalistas na quinta-feira (29), acrescentando que o nome “não será uma grande surpresa” para os mercados. “Muita gente acha que é alguém que poderia ter estado lá há alguns anos. Será alguém muito respeitado, conhecido por todos no mundo financeiro”, disse.
Fontes familiarizadas com o assunto revelaram à Reuters que Warsh se reuniu com Trump na Casa Branca na quinta-feira e teria impressionado o presidente, embora nada esteja oficialmente definido até o anúncio.
Impacto nos mercados financeiros
A possibilidade de Warsh assumir o comando do Fed gerou forte reação nos mercados globais. O índice mais amplo da MSCI para ações da Ásia-Pacífico (excluindo Japão) caiu até 1,3%, registrando a maior queda diária no último mês. Em Hong Kong, o índice de empresas chinesas recuou 2,1%, enquanto o Nikkei 225, no Japão, caiu 0,1%.
Nos Estados Unidos, os futuros do S&P 500 recuaram 0,4% e os do Nasdaq caíram 0,5%. O índice do dólar subiu 0,3%, revertendo uma recente fraqueza. O rendimento do título do Tesouro americano de 10 anos avançou 4,0 pontos-base, para 4,265%.
No mercado de apostas Polymarket, a probabilidade implícita de Warsh ser escolhido saltou de 35% para 92%. Plataformas como Polymarket e Kalshi chegaram a atribuir chances superiores a 80% ao nome do ex-governador.
Perfil de Kevin Warsh
Kevin Warsh é visto como um defensor de taxas de juros mais baixas, mas também como uma opção menos radical entre os nomes cogitados. Ele defende um balanço patrimonial menor para o Fed, o que o tornaria mais cauteloso em relação a estímulos monetários agressivos.
A possível nomeação ocorre em meio a um cenário de volatilidade nos mercados globais. O ouro caiu 3,7%, a prata despencou 6%, o petróleo Brent recuou 1,4% e o Bitcoin caiu 2,7%. Investidores avaliam como uma mudança no comando do Fed poderia alterar a política monetária americana.
Contexto político e pressões
Trump vem pressionando publicamente o Fed a reduzir drasticamente os juros. O banco central, que cortou as taxas três vezes em 2025, manteve a taxa básica na faixa de 3,50% a 3,75% após sua última reunião, na quarta-feira (28).
Após o anúncio, Trump afirmou que o atual presidente do Fed, Jerome Powell, não tinha motivo para manter os juros “tão elevados”, reiterando que o banqueiro central é um “idiota” e está “prejudicando o país e a segurança nacional”.
O presidente defende que as taxas americanas deveriam ser as “menores do mundo” devido à “vasta quantia de dinheiro” que entra no país por conta das tarifas alfandegárias, sugerindo um nível dois a três pontos percentuais menor.
Powell tem mandato como membro do Conselho de Governadores até 2028, e Trump tenta manter influência sobre o banco central, cuja independência é considerada fundamental para o controle da inflação. O governo também abriu uma investigação criminal contra Powell por estouros de orçamento em reformas na sede do Fed.