O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (21) que os países europeus e membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) poderiam aceitar a anexação da Groenlândia como uma forma de retribuição ao investimento americano na defesa dessas nações.

Em discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, o republicano declarou que os EUA gastaram “trilhões e trilhões de dólares” para garantir a segurança desses aliados e que, agora, eles “não estão preparados para defender” o lado americano. “Ninguém pode defender a Groenlândia como os EUA”, acrescentou.

“Eu só estou pedindo um pedaço de terra. Então, eles têm uma escolha. Podem dizer ‘sim’ e nós vamos realmente ficar muito felizes com isso, ou podem dizer ‘não’, e nós vamos nos lembrar”, afirmou Trump, em tom de ameaça.

O momento é de tensão diplomática entre os EUA e líderes europeus, em meio aos planos de Trump para a incorporação da Groenlândia, território autônomo ligado à Dinamarca, aos Estados Unidos.

O presidente americano anunciou no fim de semana a imposição de uma tarifa de 10% à Dinamarca e a outros sete países da Europa, caso continuem contrários aos seus planos de adquirir a ilha do Ártico.

Em resposta, o Parlamento Europeu congelou nesta quarta-feira o acordo comercial firmado com os EUA no fim do ano passado. Com a suspensão do acordo, a União Europeia volta a colocar na mesa a possibilidade de impor tarifas retaliatórias aos EUA — que poderiam chegar a 93 bilhões de euros — e de restringir o acesso de empresas americanas ao bloco.

Na véspera, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que também participou do Fórum Econômico Mundial, afirmou que a soberania da Groenlândia é “inegociável” e alertou que eventuais tarifas ou pressões entre EUA e UE seriam um erro estratégico.

Já o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, pediu que os países europeus evitem qualquer tipo de retaliação diante da intenção de Trump e solicitou que os aliados “mantenham a mente aberta” sobre o tema. “Digo a todos: acalmem-se. Respirem fundo. Não revidem”, afirmou Bessent em coletiva.