O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou sua ofensiva contra o Federal Reserve, ameaçando recorrer à Justiça contra o presidente da instituição, Jerome Powell. Segundo Trump, a ação estaria relacionada a supostas irregularidades na gestão das obras de reforma da sede do banco central em Washington.
Em resposta, Powell classificou a manobra como uma escalada sem precedentes de pressão política, com o objetivo claro de constranger o Fed e influenciar a condução da política monetária, especialmente para forçar cortes mais agressivos na taxa de juros.
Este novo capítulo aprofunda um conflito de anos entre a Casa Branca e o banco central. No centro da disputa está a política de juros: enquanto Trump pressiona por cortes rápidos e profundos para estimular a economia, o Fed mantém uma postura cautelosa, priorizando o controle da inflação e a estabilidade econômica de longo prazo.
Apesar das críticas, o Fed vem reduzindo os juros. Em sua última reunião do ano, em 10 de dezembro de 2025, a instituição cortou a taxa em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,50% a 3,75% ao ano – o menor nível desde setembro de 2022. Foi o terceiro corte consecutivo no ano.
No entanto, Powell tem sido alvo de críticas recorrentes de Trump, que o acusa de não agir com a rapidez desejada. Em junho de 2025, o presidente chegou a chamar o chefe do Fed de “burro” e “teimoso”. A pressão também se materializou em tentativas de demitir membros do conselho, como a diretora Lisa Cook, e em tentativas de impedir sua participação em reuniões, ações que foram barradas pela Justiça.
Agora, o governo menciona a possibilidade de uma investigação criminal contra Powell, alegando que ele teria prestado informações incorretas ao Congresso sobre os custos da reforma da sede. Powell nega veementemente as acusações e afirma que o episódio é um pretexto para aumentar a pressão política.
Em comunicado, Powell declarou: “Essa ameaça não está relacionada ao meu depoimento nem às obras. Decorre do fato de a instituição definir a taxa de juros com base no que considera melhor para o interesse público, e não de acordo com as preferências do presidente”. Ele alertou que o episódio levanta questões fundamentais sobre a capacidade futura do Fed de conduzir a política monetária com base em evidências, livre de intimidação política.
Jerome Powell, indicado por Trump e reconduzido por Joe Biden, é o primeiro não economista a liderar o Fed em 40 anos. Seu mandato atual termina em maio de 2026.
Fonte: G1