O presidente Donald Trump afirmou nesta terça-feira (20) que não sabe como a Suprema Corte dos Estados Unidos vai decidir sobre a legalidade de suas tarifas globais, mas alertou que o governo pode ter que devolver centenas de bilhões de dólares em caso de derrota no processo judicial.
“Não sei o que a Suprema Corte vai fazer”, disse Trump durante coletiva de imprensa na Casa Branca, onde fez um balanço de seu primeiro ano de segundo mandato. O republicano acrescentou que acredita que as tarifas foram impostas legalmente e que seria difícil devolver os valores já arrecadados “sem prejudicar muita gente”.
A Suprema Corte pode anunciar nos próximos dias sua decisão sobre a legalidade do amplo aumento de tarifas imposto por Trump à importação de produtos de diversos países, incluindo o Brasil. O processo judicial, que se arrasta desde meados de 2025, deve definir os limites do poder presidencial para agir sem autorização do Congresso americano.
Durante as sustentações orais do caso em novembro, juízes da Suprema Corte levantaram dúvidas sobre a legalidade das tarifas, questionando se Trump ultrapassou a competência do Congresso ao impor taxas com base em uma lei de 1977 originalmente destinada a situações de emergência nacional.
Se a corte declarar as tarifas ilegais, a estratégia comercial de Trump pode ser completamente alterada. Além de derrubar as taxas, o governo americano também pode ser obrigado a devolver parte dos bilhões de dólares arrecadados com as tarifas, que funcionam como impostos sobre importações.
Trump fez das tarifas um eixo central de sua política externa no segundo mandato, usando-as para pressionar e renegociar acordos com países exportadores. A estratégia permitiu obter concessões econômicas, mas aumentou a instabilidade nos mercados financeiros.
Em agosto de 2025, o republicano já havia criticado uma decisão de tribunal de apelações que declarou ilegais a maior parte das tarifas, classificando a corte como “altamente partidária”. “Se essa decisão fosse mantida, ela literalmente destruiria os Estados Unidos”, afirmou Trump na época.