O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, atendeu a um pedido da Polícia Federal (PF) e determinou uma redução significativa no prazo para a realização dos depoimentos no caso do Banco Master. O magistrado, que é relator da investigação, solicitou que a PF apresente um novo cronograma, limitando as oitivas a um período máximo de dois dias, em vez dos seis dias originalmente previstos.

Os depoimentos, que estavam agendados para ocorrer entre 23 e 28 de janeiro, serão remarcados conforme a nova sugestão da polícia. Em sua decisão, proferida no dia 13 de janeiro, Toffoli justificou a medida citando a “limitação de pessoal e disponibilidade de salas” nas dependências do STF, onde as audiências devem ocorrer. A autorização para as oitivas já havia sido concedida pelo ministro em 15 de dezembro.

Esta decisão ocorre em um contexto de crescente tensão institucional entre a Polícia Federal e o Supremo Tribunal Federal. O clima azedou ainda mais após uma decisão de Toffoli, na quinta-feira (15), em que ele indicou nominalmente quatro peritos da PF para analisar o material apreendido no caso, sem consultar previamente a direção-geral da corporação.

O procedimento, considerado atípico, foi interpretado nos bastidores da PF como um recado duro do ministro, limitando a participação institucional da polícia. Tradicionalmente, o STF encaminharia a demanda ao Instituto Nacional de Criminalística, que designaria os especialistas internamente. Apesar do mal-estar gerado, os peritos escolhidos possuem alta qualificação técnica para lidar com a complexidade do caso.

O caso do Banco Master, que envolve suspeitas de uma fraude de R$ 12,2 bilhões na venda de carteiras de crédito ao BRB, é considerado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, como potencialmente a “maior fradura bancária” do país. A investigação, que já resultou em sete prisões – incluindo a do dono do banco, Daniel Vorcaro –, tramita sob sigilo total no STF por determinação de Toffoli.