A defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, solicitou à autoridade policial que o banqueiro fosse autorizado a retornar a São Paulo em avião particular. O pedido foi feito imediatamente após o término da acareação entre Vorcaro e o presidente do BRB, Paulo Henrique Bezerra, sobre as operações financeiras entre as duas instituições. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli negou o pedido.
Conforme transcrições dos depoimentos de final de 2025 à delegada da Polícia Federal (PF) responsável pelo caso, a acareação revelou detalhes do pedido. A delegada informou que Toffoli havia deferido que Vorcaro, que possui residência em Brasília, passasse a noite na capital federal. Ao final do encontro, a autoridade policial afirmou que seria adquirida uma passagem em voo comercial para que o banqueiro retornasse a São Paulo no dia seguinte, acompanhado por escolta policial.
Durante a acareação, Vorcaro afirmou que o Banco Master não desembolsou nenhum valor para adquirir uma carteira de créditos da empresa Tirreno, avaliada em R$ 6 bilhões. Esta declaração contradiz a tese inicial da investigação, que apontava para um pagamento real pela operação.
Investigações do Caso Master
A investigação da Polícia Federal listou uma série de operações suspeitas entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB), identificando falhas consideradas graves. Houve omissão dos gestores do BRB e falha em seus métodos de prudência e governança em relação à aquisição de carteiras de crédito que representavam 30% de todos os ativos do banco público. Segundo os investigadores, isso constitui forte indício de que o BRB buscou auxiliar o Master em sua crise de liquidez.
De acordo com a PF, o Banco Master não possuía fundos suficientes para honrar os títulos com vencimento em 2025. A instituição teria então comprado créditos – sem realizar qualquer pagamento – da empresa Tirreno. Em seguida, revendeu esses mesmos créditos ao BRB, que pagou cerca de R$ 12 bilhões pela operação.
A investigação aponta para uma “total falha de monitoramento dos ativos”, considerando que a falsidade era “grotesca” e foi imediatamente identificada pelo Banco Central. O BRB, mesmo após o início da fiscalização, demorou três meses para encerrar o processo de compra de títulos do Master.