A decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), de indicar nominalmente quatro peritos da Polícia Federal (PF) para atuar no caso Banco Master intensificou o atrito entre a corte e a corporação. Nos bastidores, a cúpula da PF interpretou o movimento como um recado direto, limitando a participação institucional da polícia.

O procedimento adotado por Toffoli é considerado incomum. O rito padrão seria o STF encaminhar a demanda ao Instituto Nacional de Criminalística, que possui um corpo de mais de 200 peritos, para que a própria direção do órgão designasse os profissionais conforme a especialidade necessária. Ao apresentar uma lista pronta de quatro nomes, sem consultar a direção-geral, o ministro atropelou a autonomia administrativa da PF, causando forte mal-estar.

Apesar do ruído político, os peritos selecionados possuem alta qualificação técnica para a complexidade do caso. O destaque é o atual chefe da área de perícia em informática, criador do sistema revolucionário IPED (Indexador e Processador de Evidências Digitais).

O IPED é considerado fundamental em grandes operações, como a Lava Jato e os atos de 8 de janeiro. O software funciona como um agregador universal de provas: ao processar o conteúdo de um celular apreendido, ele indexa dados de plataformas como WhatsApp, e-mails e galeria de fotos em uma base única. Isso permite buscas por palavras-chave em milhares de arquivos simultaneamente, cruzando informações que estariam dispersas.

Quem são os peritos escolhidos

A lista elaborada por Toffoli inclui quadros técnicos de alta especialização dentro da PF:

  • Chefe da área de informática: Referência no setor por ter criado o IPED, a ferramenta mais poderosa da polícia para indexar e cruzar dados digitais.
  • Subchefe da perícia em informática: Atua diretamente com o desenvolvedor do software IPED.
  • Perito com currículo em economia e mercado financeiro: Foco na complexidade das transações bancárias do caso Master.
  • Quarto perito: Especialização específica não detalhada para interlocutores da área.

O episódio ocorre em meio a relatos de que Dias Toffoli viajou em avião particular junto com um advogado do Banco Master, adicionando outra camada de controvérsia ao caso.