O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o envio para a Procuradoria-Geral da República (PGR) da investigação que apura a suposta contratação de influenciadores digitais para divulgar críticas ao Banco Central. A ação ocorreu após o BC decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master, de Daniel Vorcaro.
Em uma análise preliminar, Toffoli entendeu que a PGR deve se pronunciar sobre a competência para conduzir o caso, definindo se o processo permanece no STF ou é remetido para a primeira instância da Justiça. Após o parecer do órgão ministerial, que não tem prazo definido para se manifestar, novos desdobramentos são esperados.
A Polícia Federal encaminhou ao Supremo uma apuração preliminar que identificou indícios de crimes como difamação e obstrução de Justiça nas postagens analisadas. A PF solicitou autorização ao STF para aprofundar a investigação, com o objetivo de apurar uma possível ação orquestrada contra o Banco Central.
Suspeita de ação coordenada
Autorizado por Toffoli, um inquérito da PF foi aberto para investigar relatos de produtores de conteúdo que afirmam ter sido abordados para difundir a mensagem de que a liquidação do Banco Master teria sido precipitada. A proposta envolvia a publicação de vídeos que colocassem em xeque a atuação do BC.
O caso veio à tona após os influenciadores Rony Gabriel e Juliana Moreira Leite revelarem ter recebido propostas para disseminar narrativas favoráveis ao Master em suas redes sociais. Outros criadores de conteúdo contatados pelo g1 relataram ofertas semelhantes, com contratos de três meses para até oito postagens mensais, feitas em dezembro.
Uma apuração da GloboNews identificou, no mesmo período, publicações com teor análogo feitas por outros influenciadores que, somados, possuem mais de 36 milhões de seguidores apenas no Instagram. A investigação da PF também busca apurar se houve pagamento por essas postagens e se as ações foram coordenadas.