O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), confirmou publicamente sua participação societária na empresa familiar Maridt Participações, que realizou transações com um fundo ligado ao Banco Master, alvo de uma grande operação da Polícia Federal.
A confirmação ocorreu após a PF encaminhar ao STF um relatório com dados do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, que continha menções ao nome do ministro. Toffoli é o relator da investigação sobre o banco no Supremo.
O que é a empresa Maridt?
A Maridt Participações é uma sociedade anônima de capital fechado, registrada na Junta Comercial, da qual Toffoli e seus irmãos são sócios. Segundo nota do gabinete do ministro, trata-se de uma empresa familiar, e todas as suas declarações fiscais foram aprovadas pela Receita Federal.
A empresa fez parte do grupo controlador do resort de luxo Tayayá, no Paraná. Em 2021, iniciou a venda de sua participação no empreendimento, concluída em fevereiro de 2025. A operação envolveu a venda de cotas para o Fundo Arleen, administrado pela Reag Investimentos, gestora ligada ao Banco Master.
O papel da Reag Investimentos
A Reag, fundada por João Carlos Mansur, era uma das maiores gestoras independentes do país. Em janeiro, o Banco Central decretou sua liquidação extrajudicial, alegando que a empresa atuou na estruturação de fundos suspeitos de movimentar recursos de forma atípica, inflar resultados e ocultar riscos, com indícios de fraude e lavagem de dinheiro ligados ao esquema do Banco Master.
Além da Operação Compliance Zero (que investiga o Master), a Reag também é alvo da Operação Carbono Oculto, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro ligada ao PCC por meio de fundos de investimento.
As menções no celular de Vorcaro e a atuação de Toffoli
O relatório da PF sobre o celular de Daniel Vorcaro, apreendido na operação, trouxe à tona conversas que mencionavam o ministro Dias Toffoli. Em nota, o gabinete do ministro classificou as menções como “ilações” e negou qualquer relação pessoal ou financeira com Vorcaro.
Toffoli afirmou que sua condição de sócio na Maridt é permitida pela Lei Orgânica da Magistratura, que veta apenas atos de gestão por parte de magistrados. Ele também negou que haja motivo para ser alegada sua suspeição no caso, o que o obrigaria a deixar a relatoria.
A investigação sobre o Banco Master foi para o STF em dezembro, após surgirem suspeitas sobre a participação de pessoas com foro privilegiado. Toffoli foi sorteado relator e, desde então, tem conduzido as diligências, incluindo determinações que foram questionadas pela Polícia Federal.