O gabinete do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), informou nesta sexta-feira (6) que o magistrado não teve acesso aos dados extraídos pela Polícia Federal (PF) do celular do banqueiro Daniel Vorcaro enquanto foi relator do caso Master.

Segundo a nota divulgada, o material só foi encaminhado ao Supremo após o ministro André Mendonça assumir a relatoria do processo, em 12 de fevereiro de 2026. As mensagens apreendidas foram decisivas para a terceira fase da Operação Compliance Zero, que resultou na nova prisão de Vorcaro e, de acordo com investigadores, revelou detalhes de uma engrenagem criminosa movida por corrupção.

O gabinete de Toffoli destacou que “até o dia 12 de fevereiro de 2026, o material retirado dos aparelhos celulares apreendidos não havia sido encaminhado ao Supremo Tribunal Federal”. A nota acrescenta que a última decisão do ministro nos autos, em 12 de janeiro de 2026, foi justamente para determinar que a PF encaminhasse o material ao STF.

Durante sua relatoria, Toffoli autorizou “todas as medidas requeridas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República”, garantindo que “as investigações continuaram a ser realizadas normalmente e de forma regular, sem prejuízo da apuração dos fatos”.

Toffoli deixou a relatoria do caso após revelar ser sócio de uma empresa que vendeu a fundos ligados a Vorcaro parte do resort Tayayá, no Paraná. Um relatório da PF enviado ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, trouxe menções ao magistrado com base em dados do celular de Vorcaro, o que levantou questões sobre sua suspeição – posteriormente afastadas pelo procurador-geral Paulo Gonet.

Caso Master

A liquidação do Banco Master pelo Banco Central, em novembro de 2025, e a nova prisão de Daniel Vorcaro marcam mais um capítulo de uma crise que já se desenhava há meses e que também levou à liquidação do Will Bank e do Banco Pleno, do mesmo grupo.

O banco operava sob risco elevado de insolvência, pressionado pelo alto custo de captação e por exposição a investimentos considerados arriscados, com juros muito acima do padrão de mercado. O sinal de alerta ficou mais evidente quando a instituição passou a oferecer produtos financeiros com remunerações atípicas, principalmente CDBs (Certificados de Depósito Bancário).

Tentativas de venda do Master, como a proposta do Banco de Brasília (BRB), não avançaram devido a questionamentos de órgãos de controle, falta de transparência, pressões políticas e menções ao banco em investigações.