A Tesla anunciou uma nova versão da sua picape elétrica Cybertruck com preço mais baixo, numa tentativa de reanimar as vendas que têm sofrido uma desaceleração no mercado norte-americano. O modelo de entrada agora parte de US$ 59.990, uma redução significativa face aos US$ 79.990 anteriores. A versão topo de linha, a Cyberbeast, também viu o seu preço descer de US$ 114.990 para US$ 99.990.

Esta estratégia de preços surge num contexto de arrefecimento do mercado global de veículos elétricos. Segundo dados da consultoria BMI, as vendas mundiais de veículos elétricos e híbridos recuaram 3% em janeiro de 2026, face ao mesmo período do ano anterior. A queda foi particularmente acentuada na América do Norte (33%) e na China (20%), dois dos principais mercados da Tesla.

Nos Estados Unidos, a retirada de incentivos fiscais para carros eletrificados tem sido apontada como uma das causas para a desaceleração. A China também reduziu subsídios e implementou novas taxas para a compra destes veículos.

Em contraste, o mercado brasileiro, onde a Tesla não tem operação oficial, registou um crescimento de 26% nas vendas de elétricos e híbridos em 2025. No Brasil, a importação independente de uma Cybertruck pode custar cerca de R$ 1 milhão.

Paralelamente, a Tesla perdeu em 2025 a posição de maior fabricante mundial de veículos elétricos para a chinesa BYD. A empresa de Elon Musk vendeu 1,64 milhões de unidades, uma queda de 9%, enquanto a BYD vendeu 2,26 milhões.

Elon Musk tem, no entanto, desviado o foco da empresa para além dos automóveis, destacando o serviço de táxi autônomo, o armazenamento de energia e os robôs domésticos como pilares do futuro da Tesla. A assembleia de acionistas aprovou em novembro de 2025 um pacote de compensação para Musk no valor de US$ 878 mil milhões, vinculado ao cumprimento de metas ambiciosas na próxima década, incluindo a entrega de 20 milhões de veículos e a operação de 1 milhão de robotáxis.