Produtores de macadâmia no Brasil, especialmente na região de Dois Córregos (SP), projetam um aumento de 50% na safra atual. A expectativa positiva surge após uma queda drástica de 80% na produção do ano anterior, causada por condições climáticas adversas.

A macadâmia, noz de origem australiana conhecida por sua casca extremamente resistente, foi introduzida comercialmente no Brasil na década de 1970. Seu ciclo é peculiar: o fruto amadurece de dentro para fora. Mesmo com a casca externa verde, a noz interna já está pronta. Com o tempo, essa casca seca, escurece e se abre naturalmente, revelando a dura proteção da semente. Todo o processo, desde a queda do fruto maduro da árvore até a abertura da primeira casca, leva aproximadamente 22 dias.

O produtor Thomas Augusto Magro detalha os motivos da quebra na safra passada: “Começou no inverno de 2024, período da florada. Tivemos altas temperaturas e baixo índice de chuva, num cenário de seca prolongada. A flor queimou com a intensidade do sol, resultando numa perda de praticamente 80%”.

A colheita, que se estende de fevereiro a setembro, é majoritariamente manual. Em uma fazenda visitada, com 400 hectares, trabalhadores como Luciana Maria da Silva encontram na atividade sua principal fonte de renda. “É daqui que sai a minha renda. Meu primeiro trabalho foi na colheita da macadâmia. Sou de Pernambuco, vim de lá e consegui emprego aqui”, relata.

Além do consumo in natura, a macadâmia, rica em fibras, proteínas e vitaminas, é versátil. É utilizada na culinária, em chocolates e sorvetes, e também na indústria de cosméticos, graças às suas propriedades hidratantes.

Historicamente, 60% da produção nacional era exportada, mas há um movimento crescente para atender ao mercado interno. Após a colheita, o fruto segue para a indústria, onde passa por quebra da casca, seleção, limpeza, torra e embalagem.

Em Bocaina (SP), o produtor Edwin Montenegro adotou uma abordagem diferente há cinco anos: a transição para o cultivo orgânico. A decisão, tomada em 2022 após duas décadas no modelo convencional, foi estratégica. “Percebemos benefícios não só ambientais, mas também uma valorização do produto”, explica Edwin, cuja propriedade ostenta mato alto como sinal visível da ausência de defensivos químicos.

Otimista, Edwin comemora a recuperação: “A safra desse ano, graças à chuva, está bem melhor. Estimamos um aumento em torno de 50%”. A esperança agora é que o clima continue colaborando para consolidar a retomada da produção desta nobre noz brasileira.