O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Vital do Rêgo, afirmou que a decisão de suspender a inspeção no Banco Central (BC) sobre o caso Master foi “serena” e visa distensionar o ambiente institucional. A medida foi tomada pelo ministro relator Jhonatan de Jesus e aguarda deliberação do plenário da Corte.

Segundo Vital do Rêgo, havia um “estremecimento” nas relações entre o BC, o tribunal e o mercado. A inspeção, autorizada seis dias antes, foi suspensa para permitir um “arrefecimento” e a busca por um entendimento comum sobre as prerrogativas de cada instituição.

“Quando chegou a esse nível, eu conversando permanentemente com o Galípolo (Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central), com o ministro da Fazenda e com o relator, eu disse: está na hora da gente dar um arrefecimento, vamos fazer uns encontros para entender as prerrogativas do Tribunal e as que tem o Banco Central”, declarou o presidente do TCU ao g1. “Porque eles têm que guardar sigilo das coisas, mas nós também temos que fiscalizar.”

O objetivo, explicou, é criar uma “uniformização de condutas”. Vital do Rêgo retorna a Brasília na próxima segunda-feira (12) e deve se reunir com o presidente do BC ao longo da semana.

Questionado se a determinação inicial da inspeção teria sido um erro, o ministro negou. “Não foi um erro. Quem pediu (a investigação) foi o Ministério Público, a unidade técnica encaminhou para o relator. A inspeção é algo comum, corriqueiro, entre o tribunal e as agências reguladoras quando falta algum esclarecimento sobre algum ponto a ser visto”, afirmou.

No entanto, devido à delicadeza do tema e ao “tensionamento” gerado no mercado, ele considerou necessário intervir. “Era necessário que eu entrasse nessa história para preservar o Tribunal na sua competência. Nós temos que entender as prerrogativas que o BC tem e aí a gente vai encontrar um caminho que seja um caminho sem percalços para nenhum de nós”, concluiu.

Fonte: g1.globo.com