O Tribunal de Contas da União (TCU) deve recomendar à Eletronuclear alterações na documentação e no orçamento de referência para a conclusão da Usina Nuclear Angra 3. Segundo análise técnica, a correção das inconsistências identificadas pode gerar uma economia estimada em R$ 1,3 bilhão.
De acordo com o parecer da AudElétrica, setor especializado do TCU em energia, persistem falhas no orçamento-base da licitação, mesmo após revisões realizadas pela estatal.
O relatório aponta que a indefinição do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) sobre o futuro do empreendimento é um obstáculo central. Para os técnicos, é imprescindível definir a outorga da concessão e o valor da tarifa de energia para viabilizar a modelagem econômico-financeira do projeto.
As obras de Angra 3 estão paralisadas desde 2015. Em 2025, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que o CNPE definiria o destino da usina, decisão que ainda não foi tomada.
O ministro relator do processo no TCU, Jhonatan de Jesus, criticou a “inércia do CNPE”, que contribui para o aumento dos custos do projeto e, consequentemente, para a elevação da tarifa de energia associada à usina.
O presidente da Eletronuclear, Alexandre Caporal, revelou em entrevista que os gastos anuais com a manutenção da usina paralisada superam R$ 1 bilhão.
O TCU também destacou a insuficiência de recursos financeiros e orçamentários para dar continuidade ao projeto.
Entre as recomendações propostas à Eletronuclear estão a revisão dos índices de BDI (Benefícios e Despesas Indiretas), a eliminação de um índice de tolerância de 5%, a adequação dos preços de insumos e serviços e a adoção de alíquotas tributárias mais alinhadas com as condições reais de mercado. A implementação dessas medidas tem um potencial de economia de R$ 1,35 bilhão.