O plenário do Tribunal de Contas da União (TCU) rejeitou, por unanimidade, um pedido para afastar o ministro Jhonatan de Jesus da relatoria do processo que analisa a atuação do Banco Central (BC) na liquidação extrajudicial do Banco Master.
O pedido de suspeição foi apresentado por organizações da sociedade civil, que alegaram, entre outros pontos, que o ministro teria um ‘padrinho político’ com interesse no caso, destinou recursos para construção de casas populares em Roraima sem a devida prestação de contas, e que um veículo de familiar seu foi apreendido em operação da Polícia Federal.
No entanto, o relator do pedido de afastamento, ministro Jorge Oliveira, afirmou em seu voto que os autores não explicaram como essas questões – sobre as quais não apresentaram evidências – impactariam na condução do processo sobre o Master. ‘Não se desenvolveu o raciocínio atinente ao nexo das imputações com a atuação do ministro arguido’, disse Oliveira, cujo voto foi acompanhado pelos demais.
O ministro também rejeitou alegações de ‘racismo institucional’ e perseguição a um diretor do BC, afirmando que não houve qualquer convocação direcionada ao servidor. ‘Não há dúvidas, portanto, da absoluta fragilidade das imputações feitas… configurando meras conjecturas, ilações sem vínculo efetivo com a realidade’, concluiu o relator.
Contexto do Caso Master
O processo em análise no TCU teve início em dezembro de 2025, quando o ministro Jhonatan de Jesus determinou que o BC apresentasse esclarecimentos em 72 horas sobre supostos indícios de liquidação ‘precipitada’ do Banco Master, decretando sigilo sobre o caso.
O BC atendeu ao pedido, mas o ministro entendeu que faltavam informações e determinou uma inspeção nos documentos do banco central, gerando atrito entre as instituições. O BC recorreu, argumentando que a decisão deveria ser colegiada. Após acordo, foi realizado um procedimento técnico, já finalizado.
Segundo apuração do g1, o parecer técnico do TCU não encontrou irregularidades na condução da liquidação pelo BC. O ministro relator, Jhonatan de Jesus, ainda não emitiu seu parecer final, e o caso aguarda julgamento pelo plenário do tribunal.