TCU suspende inspeção e caso sobre liquidação do Master vai ao plenário
O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Jhonatan de Jesus, deve suspender uma inspeção que havia determinado no Banco Central (BC) para apurar a atuação da autoridade monetária na liquidação do Banco Master. A informação foi apurada por veículos como o g1 e a Folha de S. Paulo. Com a suspensão, após recurso do BC, o caso deve ser analisado pelo Plenário do tribunal.
Presidente do TCU descarta “desliquidação” do banco
Em entrevista à Reuters, o presidente do TCU, Vital do Rêgo Filho, afastou a possibilidade de o tribunal reverter a liquidação do Master. “O processo de desfazer a liquidação depende do Supremo Tribunal, porque há um caso em aberto lá”, afirmou. Ele ressaltou que o TCU pode oferecer “elementos sobre a legalidade da operação”.
Objetivo da inspeção era esclarecer cronologia e alternativas à liquidação
A inspeção, determinada em 5 de janeiro, visava reconstruir a cronologia e a documentação sobre possíveis soluções privadas para o Master, como propostas de compra. O ministro Jhonatan de Jesus queria entender se houve divergências internas no BC sobre essas propostas. O BC havia enviado um relatório ao TCU em 30 de dezembro, mas o documento está sob sigilo. Na decisão, o ministro argumentou que o relatório do BC não veio acompanhado do acervo documental necessário para verificar suas afirmações.
Master é alvo de investigações por fraudes bilionárias
O Banco Central determinou a liquidação do Master em 18 de novembro, mesmo dia em que seu dono, Daniel Vorcaro, foi preso (posteriormente solto com tornozeleira eletrônica). O banco é suspeito de fraudes bilionárias, incluindo operações com o Banco Regional de Brasília (BRB) e com fundos da Reag Trust, alvo da operação Carbono Oculto. A quebra do Master é a maior da história em impacto para o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que cobrirá investimentos de até 1,6 milhão de clientes.
Caso envolve ministros do STF e doações eleitorais
O processo sobre o Master também é investigado criminalmente no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Dias Toffoli. O caso revelou conexões de Vorcaro com autoridades, incluindo ministros do STF. O empresário Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro, foi um dos maiores doadores das campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas em 2022.
Fonte: g1.globo.com