Os Estados Unidos iniciaram nesta terça-feira (24) a aplicação de uma tarifa adicional de 10% sobre a maioria dos produtos importados, conforme anunciado pelo presidente Donald Trump. A medida, que substitui as taxas anteriores derrubadas pela Suprema Corte, gera incertezas no comércio global e preocupa parceiros comerciais.
A Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) dos EUA confirmou que a nova tarifa entrou em vigor à meia-noite, aplicando-se a todos os produtos não incluídos em listas de isenção. O percentual de 10% corresponde ao valor inicialmente anunciado por Trump na sexta-feira (20), e não aos 15% mencionados posteriormente.
A decisão judicial que anulou as tarifas anteriores, justificadas por emergência nacional, levou o governo americano a implementar este novo regime temporário baseado na Seção 122 da legislação comercial. Esta permite ao presidente impor tarifas por até 150 dias para enfrentar déficits considerados “grandes e graves” na balança de pagamentos.
Na ordem executiva, Trump argumenta que os EUA enfrentam desequilíbrios significativos, incluindo um déficit comercial anual de US$ 1,2 trilhão em bens e um déficit em conta corrente equivalente a 4% do PIB. O documento também menciona a reversão do superávit de renda primária como justificativa para as medidas.
O governo americano não esclareceu por que optou pelo percentual mais baixo de 10%, em vez dos 15% previamente indicados. O Financial Times citou fontes da Casa Branca sugerindo que o aumento para 15% poderá ocorrer posteriormente mediante decreto formal, informação que não foi imediatamente confirmada pela Reuters.
Na segunda-feira (23), Trump advertiu que países que recuarem de acordos comerciais recentemente firmados com os EUA enfrentarão tarifas ainda mais elevadas, com base em outras leis comerciais disponíveis.
A medida já provoca reações internacionais. O Japão informou que solicitou garantias de tratamento tão favorável quanto o atual acordo comercial. A União Europeia e o Reino Unido também sinalizaram interesse em preservar os acordos já estabelecidos com os Estados Unidos.
As tarifas anteriores, que variavam de 10% a 50% sobre diferentes categorias de produtos, foram suspensas com a entrada em vigor do novo regime. A aplicação das taxas ocorre em meio a tensões comerciais e debates sobre o futuro das relações econômicas globais.