As tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos durante o governo do presidente Donald Trump, popularmente conhecidas como “tarifaço”, tiveram um duplo efeito na balança comercial do Brasil em 2025. Embora tenham reduzido as vendas diretas ao mercado norte-americano, as medidas funcionaram como um catalisador para a diversificação e expansão das exportações brasileiras para novos destinos.

De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o Brasil aumentou suas vendas para mais da metade (53,3%) dos seus parceiros comerciais no ano passado. Mais de 40 países estabeleceram recordes históricos na compra de produtos brasileiros, demonstrando uma notável resiliência e capacidade de adaptação do setor exportador.

Novos Mercados em Destaque

Entre os países que mais ampliaram suas importações do Brasil, destacam-se:

  • Paquistão: crescimento de 132,6%
  • Suíça: crescimento de 53,7%
  • Índia: crescimento de 30,2%
  • Uruguai: crescimento de 29,5%
  • Canadá: crescimento de 14,8%
  • Turquia: crescimento de 7,9%
  • Paraguai: crescimento de 6,9%
  • Noruega: crescimento de 8,8%

“Em meio às dificuldades geopolíticas, conseguimos conquistar novos mercados e ampliar os que já tínhamos”, afirmou o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, em comunicado oficial.

Balança Comercial e Impacto nos EUA

Em 2025, a balança comercial brasileira registrou um superávit de US$ 68,3 bilhões, com as exportações atingindo um recorde de US$ 349 bilhões. Este desempenho positivo ocorreu apesar da queda de 6,6% nas vendas para os Estados Unidos, que passaram de US$ 40,37 bilhões em 2024 para US$ 37,72 bilhões em 2025. Como consequência, o déficit comercial do Brasil com os americanos aumentou significativamente, alcançando US$ 7,53 bilhões.

Setores que Impulsionaram o Crescimento

O resultado recorde foi impulsionado principalmente pela indústria de transformação, que registrou exportações de US$ 189 bilhões. Este setor, que agrega valor a matérias-primas, teve vendas históricas de diversos produtos:

  • Carne bovina (US$ 16,6 bi)
  • Carne suína (US$ 3,4 bi)
  • Alumina (US$ 3,4 bi)
  • Veículos para transporte de mercadorias (US$ 3,1 bi)
  • Caminhões (US$ 1,8 bi)
  • Café torrado (US$ 1,2 bi)
  • Máquinas e aparelhos elétricos (US$ 1,0 bi)
  • Produtos de perfumaria (US$ 721 mi)
  • Cacau em pó (US$ 598 mi)
  • Defensivos agrícolas (US$ 495 mi)

Na indústria extrativa, também houve marcos importantes, com recordes de embarque de minério de ferro (416 milhões de toneladas) e petróleo (98 milhões de toneladas). Os bens agropecuários avançaram 3,4% em volume e 7,1% em valor.

Perspectivas e Desafios Futuros

Apesar da retirada das tarifas para a maioria dos produtos brasileiros ter sido acordada e implementada em novembro de 2025, muitos setores ainda sentem os efeitos da medida. Analistas apontam que o caminho para a consolidação dessa diversificação comercial requer ações estratégicas contínuas.

“[Agora] é vital que o governo brasileiro intensifique suas estratégias comerciais e desenvolva uma política de estado que promova a expansão das exportações, especialmente em produtos com maior valor agregado”, afirma Bruno Corano, economista e presidente da Capital Corano.

Segundo Corano, o “tarifaço” incentivou empresários a buscarem mercados alternativos, um movimento que deve perdurar. Ele defende a necessidade de aumentar a frequência de missões comerciais oficiais para fortalecer laços e explorar novas oportunidades, além de criar uma política de Estado robusta e duradoura para a expansão das exportações.

Fonte: G1 – Com tarifaço, Brasil amplia exportações para mais de metade de seus parceiros comerciais